Sobre a Morte I


Tenho 19 anos. Quase 20. Não tenho toda certeza sobre isso. 
Acabei de ver uma senhora bem velha, morta. O corpo estirado no chão, muito sangue. Sangue misturado com a areia da rua.
Imagino que, de tão velha que era, não esperavam uma morte assim pra ela. Vi um de seus filhos, em frente ao cadáver. Olhava com muita calma pro corpo. 
O carro que a atropelara estava um pouco mais à frente, estacionado em fila dupla. Fico imaginando com que frieza ou desespero o (ou a) motorista conseguiu fazer isso - falo de estacionar.
A multidão estava toda em volta do corpo. Polícia. Perícia. Povo. Eu. Todos. E o filho velho, de boné preto, camisa preta, bermuda preta, parado na frente do cadáver. Todo aquele alvoroço, e ele ali. Parecia calmo.
Sei lá o que se passava na cabeça dele. Acho que nessas horas, aperta o peito...ou alivia. Sei lá.
Não sei explicar, não por falta de experiência. Na verdade, acho que é por isso mesmo. Mas a morte já visitou minha família. E vai visitar novamente. Não sei quando.
Mas vi a morta. Quis ficar triste, mas não fiquei. Não consegui. "Chorai com o que choram", a Bíblia diz. Sempre fui péssimo crente. Esforçado, mas péssimo.
Não senti tristeza, mas fiquei pensante. E a gente perde muito da vida. Sei lá, acho que perde. Tenho certeza.
A gente vive atento. Vive produzindo. Pensa muito. Sente pouco.
Porque tem pensamento que é assim, sabe: a gente só tem se sentir antes. Mas acho que tenha ficado difícil a lógica desse raciocínio. 
Deixe-me explicar...melhor não.
Enfim.
A gente é ensinado a viver pra sei lá o quê. Nos mandam ganhar a vida, confundem a vida com dinheiro e no fim a gente perde é tudo.
Não to mandando ninguém "viver a vida". Coisa mais redundante. Nem to falando de "Carpe Diem" . Mas...sei lá. Pensem um pouco mais.

Um comentário:

Anônimo disse...
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