Eagle

 

O pai, de uma filha só, pergunta pra Jó, sua mulher.
- Jó, cadê a Ana?
- Tá dormindo.
Ele vai até o quarto e checa se Ana, a filha, realmente está como dito. É assim todo fim de semana, após o churrasco e cerveja. Quando ele chega tarde da noite a esposa está  lá, olhos cansados e um roupão, sentada à mesa. Após voltar do quarto ele senta à mesa calado, e então:
- Jó, cadê a Ana?
- Tá dormindo, amor.
Levanta-se novamente e dirige-se ao quarto, em passos vagarosos, ombros caídos e balançados.Vê a garota dormir um sono virginal, sonhos não sei aonde e o ar de leveza. É a garotinha do papai. Volta à mesa, volta à esposa que lhe espera, se senta, respira fundo, colhe do ar um pouco de fôlego, olha no fundo dos olhos da esposa, que apática, não retribui. Pergunta:
- Jó, cadê a Ana?
- Tá dormindo, bem.
Pela última vez ele se levanta e vai ao quarto, não sabe porque faz isso, mas está bêbado e isso já explica muita coisa. Abre a porta do quarto e lá está Ana, de costas, olhando pra fora, com um pé na janela; dá duas tragadas no cigarro que fuma e pula pra fora. Seu nome agora é Eagle32, e nunca mais a viram.

Orquestra


De repente tudo são risadas. Risadas, risadas, risadas. Risadas progressivas, subindo suavemente na escala musical até uma nota clímax, e depois do suspense – BAM! – a nota final soa como os pratos de uma orquestra, finalizando aquela pequena ode de alegria (risada: uma canção de alegria). Já outras risadas são constantes, a repetição de uma só tecla; outras saem violentamente como tosses de um tuberculoso. Ainda há aquelas que por si só já são motivo de mais risadas, formando um ciclo risonho. Risada soluço, risada musical, risada tosse, risada educada, risada motor que não pega, risada vírus contagiante, risada que custa a sair. Todo um repertório de instrumentos.

Braços. Mãos. Palmas. Aplausos. De palmas Zé Maria à palmas estalo de bombinha. Infelizmente as mãos não conseguem por si só muita variedade de sons, então elas pedem ajuda umas as outras. Vão ganhar na união e no ritmo.

Vozes. Das gritantes às sussurradas, das graves às agudas, das nasaladas às límpidas, das vacilantes às "nhá nhá nhá". As suaves, as de caráter duvidoso, as que fazem tremer os órgãos digestivos, aquelas que você conhece desde a infância, aquelas que lhe apoiam, aquelas que lhe fazem rir.

Risadas que riem a sua alegria, mãos que lhe afagam e lhe escrevem mensagens de amizade, braços que lhe abraçam, vozes que lhe cantam felicidades e lhe desejam parabéns, uma orquestra simples e magistral comemorando o seu mais novo ano de vida.

Dicas para escrever um bom texto

Um texto pode ter qualquer assunto como tema. Qualquer coisa pode se tornar um bom texto, principalmente se você escreve pra um blog, que exige muito menos que escrever pra um jornal. Mas mesmo assim ele deve ter uma boa qualidade e conseguir prender a atenção do leitor até o fim. Por isso eu vou fazer algo que não é comum do !SS, vou dar dicas.



1. Escreva certo

Procure escrever de maneira correta, usando um bom português e cometendo o mínimo de deslizes possível. Se você errar - e errar é inevitável - seja humilde e alegue licença poética.

obs¹: Caso o erro seja muito feio: corrija.
obs²: Se não houver mais jeito: paciência.





2. Escreva claro

Escreva de modo que as pessoas possam entender. Esse tópico pode ser descartado caso você queira escrever um nonsense , mas se você quiser levar essas dicas pro colégio, faculdade e até os confins da Terra, então não escreva nonsense, pois você pode perde ponto(s).
O importante é saber que num bom texto devemos escrever de forma clara, certo?



3. Rascunhe, revise e corrija
Sempre que puder, faça primeiro um rascunho do seu texto, revise, veja o que está errado e corrija.
Revise e corrija tantas vezes quanto forem necessárias, senão seus textos podem acabar como boa parte de meus antigos textos.
Os irmãos Wright deviam rascunhar, revisar e corrigir, eu imagino.



4. Se for tema livre



Procure bons temas. Procure temas em qualquer lugar, eles estão espalhados por aí. Estão no céu, numa mesa, numa sala, no seu amigo, no nariz do seu amigo, etc. Basta procurá-los, que você os achará.





O Elefante-Marinho pode ser um bom tema

5. Pense diferente

Tente pensar em coisas que as pessoas normalmente não pensariam, mas que vão pensar e se supreender após ler seu texto.









Santos Dumont pensava diferente dos irmãos Wright.

6. Leia bastante

Esse é um tópico que não precisa ser explicado. Todos sabem (ou deviam saber) que pra escrever bem, ler é fundamental.















7. Não mexa com estranhos na rua

Essa dica é essencial, pois você pode acabar mexendo com um cara muito brabo raivoso que é mais alto maior que você e ele vai querer te bater e vai chamar o amigo dele e o pessoal que tá com você vai correr com medo e te deixar sozinho, só que você é esperto e vai correr também pra não ter que bater no cara, porque senão eles vão se ferrarem.

Briga

8. Não fuja do tema

Não faça como eu no tópico acima. Fugir do tema pode lhe render um zero na sua redação e um desgosto terrível a quem ler o seu texto.
Se você fizer isso pra deixar o texto engraçado, então tá tudo bem, contanto que faça direito.






O telefone toca de madrugada...


Você demora um pouco para acordar. Ainda está naquele estranho estágio em que sonho se mistura com realidade. A impressão que você tem é que aquele jogo de pólo entre anões que você estava sonhando estava ficando violento demais, e o juiz (seu pai) teve que parar o jogo, e o apito tinha um som de telefone. Aí você acorda.

A primeira coisa que vem à cabeça é raiva. Você sequer pensa que pode ser que algum parente próximo tenha morrido. “Tou pouco me lixando!”, pensa você na hora. Um pensamento totalmente irracional, você sabe; mas quem consegue ser racional depois das duas da madrugada? Você se levanta e vai atender o telefone com passos pesados. Agora que o efeito do álcool do sono está passando, você está meio curioso. O que será que é?

Várias possibilidades.



Você atende o telefone. Uma voz grossa lhe diz (em inglês) para você prestar atenção, porque ele só vai dizer uma vez. Duas semanas depois você é prisioneiro em uma estação espacial russa, junto com uma cientista grávida de um alien e um cadáver de um velho israelita. Vocês estão tramando uma fuga usando colheres, pimenta, urina e a barba do morto. Você pensa secretamente que aquela ligação valeu a pena.



Você atende o telefone. Ninguém responde, mas você ouve uma respiração ofegante do outro lado. Dois dias depois você é encontrado morto segurando um criptograma, com um símbolo de uma mira na testa.



Você atende o telefone, e acaba em uma biblioteca jogando pôquer e ouvindo musica clássica. Noite difícil, você perde dois mil; mas tem certeza que o oponente de óculos escuros e chapéu coco está trapaceando.



Você atende o telefone. Seu pai morreu.



Quando você vai atender o telefone, ele para de tocar. O sono já foi embora. Você aproveita para ler um post nonsense no seu blog favorito.



Você percebe que quando mais chega perto do telefone, mais distante ele fica. Você começa a correr, mas o anão está fazendo uma marcação pesada. Seu pai apita uma falta.



Você atende o telefone. Lhe perguntam se há um carro verde na frente de sua casa.



Você não atende o telefone.
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