GABARITO ENEM 2010

Bem, galera, hoje é véspera de prova do Enem e muitos devem estar ansiosos, empolgados, estarrecidos, enrubescidos, castigados. E uma grande notícia para qualquer um que vá fazer a prova seria que alguém tem o gabarito e que disponbilizará justamente pra você! E que sorte a sua não é mesmo?
Você tá simplesmente navegando pela internet, desesperado, ou de repente cai de paraquedas bem aqui, no fim do Arco-Íris. Você se pergunta agora onde está o pote de ouro. Onde está o ponte de ouro?
O pote de ouro seria o gabarito, não? E ainda especificando. O gabarito de cada cor. E onde está o gabarito?
Posso discorrer ainda mais até que escorra sangue do seu nariz, mas como marketeiro e publicitário que sou preciso prender você nessa leitura. Você precisa saber do que podemos fazer antes de conseguir o prêmio. O prêmio pode ser um texto bem bolado ou o link logo abaixo.

Não se esqueça do material necessário.
Lembre-se: O ENEM  não é nosso inimigo, nosso verdadeiro inimigo são








LINK

Você


Aconteceu uma coisa engraçada hoje. Engraçadíssima.

Eu estava com uma afta na língua, dessas de tirar vontade de falar e de comer. Até aí tudo bem, não sou muito bom de boca nem de papo mesmo. Mas hoje eu dava a tradicional e bem-vinda dormida depois do almoço, sonhando sei lá o quê. Nesse sonho eu mastigava alguma coisa. Acordei quando inconscientemente mordi a já mencionada ferida na língua com precisão cirúrgica.

Se não sou bom de papo nem de boca, existe algo em que sou expert. Adoro refletir sobre coisas que normalmente as pessoas veriam, classificariam como passageiras e inúteis – com razão – e deixariam passar. Então não deixei esta fútil mordida na língua já quebrantada passar em branco.

Somos reféns de nós mesmos, isso é o que somos. O que você chama de “eu” é apenas o seu “eu” consciente. Eu não escolhi o que eu estava sonhando. Eu não tive a opção, uma vez dentro do sonho, de não mastigar a desgraçada da língua. O “eu” daquele sonho provavelmente não dava a mínima para a presença de uma úlcera na língua do “eu” consciente. Aquele “eu” devia viver em seu mundinho particular e temporário, mastigando algo por motivos que nenhuma pessoa na face da terra jamais vai saber. Um egocêntrico, isso é o que ele é. Aquele “eu” foi criado na minha mente, fez-me morder-me, e sumiu. Aí entra outro personagem nessas minhas divagações inúteis: minha mente.

É estranho. Nós normalmente justificamos as ações involuntárias do nosso corpo e mente como se não fossemos nós. Como por exemplo, naquela vez em que você levou um susto enquanto segurava um copo de água, derramando-o na cara da pessoa de maior autoridade nos arredores, você deve ter dito algo como “foi reflexo”. Essa é sua desculpa: não foi você, foi reflexo. Mas se não foi você, quem foi? Foi sua mente agindo sozinha. E quem é você, se sua mente não for? É o seu corpo? O seu corpo não inclui a sua mente? Seria você então apenas a parte consciente de sua mente? E quem é a outra parte?

O seu corpo então abrigaria dois hospedeiros: você e um outro alguém misterioso. Você pode até tentar orgulhar-se pensando que tem mais controle sobre seu corpo do que este outro alguém. Afinal, você pode, por exemplo, levantar o indicador agora e ninguém dentro de você irá impedi-lo disso. Mas pense melhor. Você consegue dormir no instante em que decide dormir? Ou adiar o sono se as circunstâncias não o permitirem? Ou a fome? Ou a sede? Consegue, ao bater o cotovelo na quina de uma mesa, dizer simplesmente “está bem, essa dor é sinal de que preciso proteger meus cotovelos com mais cuidado, entendi a mensagem” e parar de sentir dor no mesmo momento? Ou, num momento de crise alérgica, dizer “é só camarão, é gostoso e não faz mal, me deixa quieto!”?

Aí está: você não consegue. Existe um déspota dentro de você, e você nem sabia. Ele lhe controla astuciosamente usando hormônios e estímulos nervosos. Escolhe seus sonhos, seus reflexos, e o faz agir, várias vezes, de forma irracional. Ele controla seu estado de humor, lhe deixando inconstante.

Você pode até conseguir dominá-lo em parte, mas se sentirá exausto, e ele arranjará um modo de lembrá-lo de que você não é a única coisa dentro de você. Afinal, você precisa dele. Existem coisas que você não sabe fazer, e ele sabe. Todas aquelas maluquices de metabolismo e defesa contra agressores que você finge que aprende na escola, ele faz de olhos fechados. Às vezes meio errado, mas mesmo assim. E por causa disso, ele acha que tem o direito de controlar um pouco do setor que devia ser seu. Quer mostrar sua autoridade. Seu tamanho. Sua importância. Você, coitado, além de ser prisioneiro de seu corpo, é refém de sua mente.

HOJE EU POSTO

Achei isso super engraçado


Continuando o post...
Você pode estar se reclamando que nós não postamos faz tempo. Acho que posso explicar. É tudo culpa do Rac'meg...brincadeira, galera.
Vou contar uma história. 
Eu estava vindo pra casa num sábado de manhã, mas ainda tava na rua do colégio. Sozinho. Daí que eu ouvi uma voz chamar assim: "Tiaaago, vem aqui, TiaaaAaAago..."
só que eu nem dei bola pq esse não é meu nome
Daí eu perguntei pro meu amigo se ele tava ouvindo essa voz, mas eu lembrei que tava sozinho
 Batgirl é fogo (fuego)

Mas não tem problema pq eu to acostumado e os perigos são muitos...





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Post Noturno


Comprou o sorvete, sentou-se na cadeira da lanchonete e ficou pensando que era o único da sua idade que gostava de sorvete de chiclete. Depois pensou sobre o que estava pensando. Gostou disso. Era por isso que valia a pena sair um pouco de seu amado ambiente caseiro. Ajudava a pensar sobre as coisas.

Um sorvete azul, pedacinhos de chiclete e uma casquinha. Desafiou sua criatividade e tentou criar uma metáfora usando esses elementos. Um caldeirão gelado com pedaços de... Viu a metáfora ridícula e parou aí mesmo. Os pedaços de chiclete consolaram sua criatividade derrotada. Pronto, já criei uma para os pedaços de chiclete, pensou sorrindo.

Mas os elementos acabaram. Voltou ao apartamento caminhando lentamente. Tinha vontade que algo acontecesse. Algo extraordinário. Algo que quebrasse com os paradigmas da rotina de um jovem urbano. Algo como uma chuva de meteoros, ou como uma invasão indígena, qualquer coisa que lhe despertasse o instinto de sobrevivência tão esquecido na sociedade moderna. Mas não. Chegou até os portões do prédio tranquilamente, sem problemas com meteoros. Na guarita não havia nenhum índio canibal lhe preparando uma emboscada, só o habitual porteiro com um sorriso que ele podia jurar que era só para lhe irritar.

- Boa noite. - disse ainda o zombeteiro porteiro.

Devolveu o “boa-noite” deixando bem claro que este só possuía valor social. Subiu a escada e entrou no apartamento sem ser atacado por nenhum animal mutante. Abriu as portas de cada armário ainda ansioso por um ataque de ninjas mercenários homicidas. Sem ninjas. Irritado com a sem gracice da vida urbana, sentou-se na cadeira do computador desligado.

A casquinha é o mundo, o sorvete é... que droga!

Nunca tenho assunto

 
E é por isso que nunca posto.

Post number dois (2)  
O que acontece com as pessoas quando elas não postam?
Eu posso responder, só que em chinês. 
我知道你必須翻譯所有這一切對谷歌現在只是為了弄清楚我說的,但我還是會講。當我幾年至少我能想到的博客將是著名的,所以我創造了一些博客,是並不出名,但後來我發現了一個同學是誰寫甜,我認為他是一個對我幫助很大,所以我邀請他是一個博客的一部分,我和他接受。而我們在這裡 ...與此博客。

                                                 
ため、中国ではもっと面白いです

Post Numbero três (tree)

A China é o novo Hades (The chinha is new Rather)

- Na morte todos são iguais, na China todos são iguais. ( isso é o que diz o mundo)

- A China não é o céu.
   Perceba que para chegar à China é necessário cavar um buraco bem fundo. Ou seja, a China está nas profundezas, e todo mundo sabe quem mora nas profundezas.

 Bob Esponja mora lá

- Na China tem muita gente, e por que? Porque quase todo mundo que morreu foi pra lá ( 1 bilhão ), exceto os papas ( pq eles vão pro céu dos papas).
 Papa Roach


- Os chineses falam um idioma completamente estranho - que só o google entende - pra que a gente não entenda seus sofrimentos.
Exemplo: 那痛苦



Ai cansei



Incógnita


- Eu, resumido em poucas sílabas? – respondeu quando perguntaram o seu nome. – Não mesmo.

Ninguém sabia direito como se aproximar dele. Uma vez, em uma discussão sobre que banda tocaria numa festa da escola, perguntaram sua opinião.

- O mundo é um prelúdio do Inferno. – respondeu.

Logo o rotularam de pessimista, punk, comunista, emo, niilista, psico-sociopata. Correu um boato de que todos seus familiares tinham morrido em um acidente de carro, mas logo foi constatado que não: era de uma família estruturada, e estudava numa boa escola, e não fazia parte de nenhuma tribo urbana, e ninguém sabia mais o que pensar. E continuaram não sabendo o seu nome.

Ficou famoso por suas frases de impacto e por sua atitude depressiva. Toda vez que lhe desejavam bom-dia-tarde-noite ele tomava aquilo como uma piada. Uma que ficou clássica foi quando ele chegou à escola profundamente abatido, murmurou “de novo acordei” e enterrou a cara nos braços. Contristado. Ninguém sabia o que pensar.

Humanidade, desumanidade, a inconstância, o egocentrismo, a ignorância e a alienação dos homens eram temas correntes em suas conversas, que sempre terminavam com alguém não agüentando mais e o xingando ou chorando. A única vez que o viram sorrir foi em um velório. O sorriso mais puro e altruísta que já tinham visto, dirigido para um cadáver. Quando lhe perguntaram o porquê do sorriso, ele ignorou. Disseram que ele era muito fechado.

- Fechado como as portas da felicidade. – respondeu.

Virou para sempre uma incógnita na memória dos que o conheciam. Incógnita realçada ainda mais pelo fato dele ter guardado o nome em segredo mesmo tendo estudado a vida inteira ao lado deles. Alguns lembravam com humor seus episódios marcantes, como quando ele entrou no quarto onde lhe tinham preparado uma festa de aniversário surpresa e ele murmurou decepcionado “Poxa, pessoas”, ou de quando uma meninazinha foi lhe perguntar as horas e acabou correndo e chorando, ou ainda em um aniversário em que ele inesperadamente se mostrou comemorativo e falou ao aniversariante “Um passo mais perto do fim!”. A briga foi feia.

Ninguém sabia o que pensar. Quando ele olhava sem expressão a brincadeira das crianças nas ruas pintadas de verde e amarelo, muitos dariam o braço direito para saber os seus pensamentos. E o seu nome.

Egoísmo


Era um cara egoísta, o Carlo. Um dia, quando era menor, apareceu um cachorro minúsculo em sua rua, despertando os instintos infantis de malícia nas crianças de lá. Carlo foi correndo socorrer-lhe, causando uma confusão que atraiu os olhares dos vizinhos. Todos ficaram muito comovidos com a coragem da criança em rebelar-se contra seu grupo em prol do bichinho. Recebeu muitos olhares admirados e orgulhosos naquele dia, e Carlo adorou aquilo. Salvaria qualquer cachorrinho por um olhar daqueles.

Cresceu assim, devolvendo o excesso de troco que recebia na padaria do bairro, devolvendo a carteira que deixaram cair, dando comida aos pássaros da praça, ajudando a professora a carregar o material... Chegou a pedir para o seu pai para participar de uma ONG de ajuda aos desabrigados no terremoto do Chile. Sabia que ele iria negar, mas não sem antes passar a mão orgulhosamente em sua cabeça. Adorava a recompensa que recebia por tudo aquilo. Até que, certo dia, descobriu outra coisa que adorava.

Ouviu um pintinho piar bem alto no quintal de sua casa. Reconhecendo o grito “mamãe!” naquele vocábulo galináceo, carregou-o e o levou de volta ao quintal da vizinha, a única da rua que tinha galinhas. Lá, o galinho encontrou sua mãe e abrigou-se felizmente embaixo de sua asa. Embora ninguém estivesse testemunhando aquilo, Carlo sentiu recompensado vendo aquela cena, e descobriu naquela felicidade infantil da pequena ave uma nova forma egoísta de alegrar-se: ajudando os outros mesmo sem testemunhas oculares por perto. Mal podia esperar a fazer aquilo com pessoas.

Adolescente, Carlo encontrou a oportunidade que esperava na escola. Uma amiga sua – seu conceito de “amigo” era “instrumento de obter felicidade e satisfação comigo mesmo” – estava chorando por uma nota ruim. E ele não perdeu a oportunidade. Depois do intervalo, ela recebeu um pequeno envelope feito manualmente, onde estava escrito:

Não se maltrate
Que na vida há tanto
Para o que sorrir
Como este...

Dentro do envelope, um chocolate daqueles que os comerciais sempre mostram como sinônimos de vida feliz. A menina corou, espantada, olhou ao redor e encontrou o sorriso de Carlo, que levou o indicador à boca fazendo um sinal de “não fale pra ninguém, ok?”. Sem saber como reagir, sua amiga simplesmente sorriu. Um sorriso puro, que vinha de dentro, que se encaixou perfeitamente com a última lágrima que caiu de seus olhos naquele dia. “Tou ficando bom nisso”, pensou Carlo.

Era um cara bem egoísta, ele.

Roubou meu coração

 Toda as manhãs eu a via passar com sua cadeira de plástico e metal, sua pele acidentada, cabelos nunca bem cuidados, corpo encurvado, camisetinha de renda, andar manco e *sorrisinho de canto de boca. Não havia como não se apaixonar por ela: a obra-prima do evolucionismo, que passa pra esquina e lá senta. 
 Na esquina ela fica com sua bolsa, vermelha e bem rodada - e eu a vejo da janela. Não é convencida por coisa alguma, senão algum dinheiro.
 Meu coração ja deveria ser tirado. O médico o pôs na mesa e ela de alguma forma estava em minha sala. "Como?" eu não sei.Aquela bandida, meu coração à mesa e ela, conduzida pela vontade foi até o orgão...e o tocou. Porém nada mais fez. Moveu-se algumas outras vezes à visitar-me. A desgraçada me roubou.

Criança de Pedra


Os olhos que olham: parados
A boca que pergunta: parada
A caneta que escreve: parada
Alma ansiosa e angustiada!

Bate a campa
Os pés dos seus colegas dançam no intervalo
E o seu rosto, como o de quem se espanta:
Suas bocas cantam, só eu que me calo?

Chega em casa
Na estante, as bonecas abandonadas
No vaso, as flores quase secas
Rosa seca, seca a vida
Não servem mais para nada, pobres bonecas!

Abre o caderno
A caneta azul escreve vermelho
Os olhos jovens vêem cinzento
O corpo, esquecido e em desespero
Afogado e desolado mar adentro

Acorda
Na janela o sol não veio
Nas árvores, os pássaros não cantam
Na mente, a criança foi esquecida
Nos tempos esquecidos que encantam

Bate a campa
Os pés dos seus colegas dançam no intervalo
E a criança revolucionária, na sala se levanta
Fecha os livros com um estalo:
Na desgastada mão, o sangramento estanca

Na purificada mão, um pincel atômico
Desenha no quadro desenhos de criança:
Pessoas mal feitas dando as mãos
Um sol oval sorrindo para nuvens
Que mais parecem sonhos vagos na lembrança
Que nunca foram vividos, mas que importa?
Antes sonhos perfeitos a uma vida torta

Mas bate a campa, o professor está à porta
E os pobres olhos da recém-criança
Viram seus sonhos, suas fantasias e aventuras
Apagados,
Substituídos por matemáticas figuras!
 Você chega à sua casa, tarde da noite, adentra a sala e se depara com um Ilhema de óculos, lendo o Mein Kampf, assentada em um poltrona preta reclinável de frente pra você.
 O que você faz? Conta de um a dez.
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10
 Você diz:
- Boa noite.
- Hoje a noite não tem luar. - Disse o Ilhema - o que você está esperando, filho?
Então você calmamente responde:
- A água .
- Que água, filho?
 Faz-se um silêncio de cinco minutos.O Ilhema passa uma mão sobre a outra, você hesita. Sua mente galopa campo afora, sua língua enrola, seu queixo treme, seus dentes batem.

" A vizinha toda nua
 da janela
 congela  a rua"

 Então a resposta vem como uma impetuosa avalanche de sentimentos carnais, uma chuva de emoções, uma torrente de comoções que vem de dentro pra fora rasgando o peito.
- A água.
- Era tudo que eu queria ouvir.





Nota: O que é um Ilhema?

Aquilo que ninguém vê


Uma cena meio besta, talvez:

Tinha uma pedra no meio do caminho dela. No meio do caminho dela tinha uma pedra. Ele, um miserável, tirou a pedra de lá.

O que o motivava quando fez isso?

“Ora, a presença da pedra ali iria atrapalhar a passagem dela.”

Então por que não fazia isso quando ela estivesse olhando, para assim ganhar os louros da boa ação?

“Sei da aparência que tenho. Sou miserável, e em mim não há nada que agrade um olhar. Boa ação ou não, a falta de beleza seria meu carrasco, e em vez de louros, ganharia os leões.” Foi o que ele respondeu para si mesmo, mas as perguntas não paravam.

Ninguém veria sua ação. Mais que isso, ela não a veria. Ela passaria pelo caminho sem nem imaginar que ali havia um obstáculo, e que este foi retirado por alguém. Um alguém anônimo. Um anônimo que lhe tinha em alto preço.

E se ele apenas deixasse a pedra do lugar? Logo a removeriam, e a vida continuaria.

“Mas”, replicou ele, “e se ela vier a se fatigar durante a remoção do obstáculo; onde iria enxugar seu suor, nas minhas vestes empoeiradas? Pois como posso evitar essas gotas de enfado, se não o fizer, terei que pagá-las. E se, ainda pior, por causa da pedra, viesse a ocorrer alguma tragédia, e ela perdesse a luz de seus olhos; onde iria se consolar, nos meus ombros ossudos?”

Mas ela devia ter outras mãos para lhe auxiliarem, outras vestes que lhe enxugassem e pagassem seu o suor, e ainda outros ombros para deitar a cabeça, e não precisaria dos dele.

Então, calado e sem testemunhas, ele deixa a cena, que mesmo sem possíveis enfados, nem possíveis tragédias, não deixa de ser um tanto cruel.

Seu amigo beija uma garota...

Você e seu amigo caladão, magro e nerd estão conversando como quase todos os dias, então chega aquela que é destruidora de situações e criadora de outras. Uma garota de sorriso atraente, belos olhos e jeito encantador. Moça que é motivo de disputas e dicussões, tema recorrente nas conversas dos mais novos. Essa mesma moça chega, e num ato totalmente inimaginável, beija seu amigo. Porque isso aconteceria? Eis algumas possibilidades:


1 - Ele é, na verdade, um multimilionário, que pode ter o que quiser. Com dez mil dólares comprou amor.

2 - Ele é o cara mais safo da colégio e ela a mais bonita; ele tira boas notas e ela precisa de boas notas; ela é muito esperta e ele é besta pra mulheres.

3 - Ele tem um carro.

4 - Eles se apaixonaram verdadeiramente e agora fugirão para Barbados. Viverão de não sei o quê,  mas terão uma casa na praia.

5 - Se conheceram no Haiti, em uma ONG voluntária. Ela se apaixonou quando o viu tirar dois homens adultos de uma fissura com apenas o braço esquerdo.

6 - Ele era modelo de lingerie feminina quando 1 2 3 4 5 6  .

7 - Ele elogiou a bolsa dela com a mão formando 90 graus com o pulso.

8 - HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

 9 - Ele consegue lamber o cotovelo com as mãos pra trás.

10 - O sobrenome dele é Bond, James Bond.

11 - Ele fez aquilo só para impressionar. Pretende largá-la no outro dia

12 - Ele nasceu em setembro.

13 - Seu pai se chama Juan Carlos.

14 - Atende o telefone com a mão esquerda toda vez que chove

15 - Ele tem uma barriga tanquinho e ela queria lavar a roupa.

16 - É costume das suecas

17 - Ela nasceu em 6 meses.

18 - Ele em 12.

19 - Ele usava uma camisa dos Beatles. Ela preferia Beach Boys, mas - pô - ele era um gato.

20 - Uma vez Power Rangers...sempre Power Rangers.

21 - Ela não sabia geometria plana. Ele sabia.

22 - As ondas de amor irradiadas por ele faziam refração no peito dela.

23 - Ele era magro e estava contra luz, ela não o viu.

24 - Não adiantava fugir, era o destino.

25 - 23 =2

26 - Ela adora homens peludos.

27 - Certa vez ela o viu sem camisa, foi a tacada certa.

28 - Foi tudo um sonho.

29 - Ele estava fazendo moonwalk na escada, tropeçou nela e caíram, apaixonados.

30 - He was dancing the moonwalk on the stairs, when he stumbled on her and they fell...in love.

Conceitos, quem liga?


Toda ação social tem um valor estabelecido pela sociedade, mas sem ser por isso menos importante para o indivíduo. Era o que pensava Pedro, ou o "Pedrão", de dez anos, vítima do grande paradoxo vivo até os dias de hoje de atribuir aumentativos à crianças.

Pensou isso num aniversário de um amigo, o Paulo, que também era companheiro de ordem de chamada (21 e 22) e de ideias.

Quando, ao invés de dar parabéns, Pedro apenas o cumprimentou com um movimento do queixo, seu amigo não estranhou, nem ficou ofendido de maneira alguma. Eram crianças sérias, não precisavam disso. Mas Patrícia ("Pobre Patrícia", dizia Pedrão com pena, suspirando) não concordava. Aniversário era um só no ano ("Assim como um dia qualquer aí, como 23 de abril, que nem por isso é comemorado. Só, talvez, na Gâmbia.", disse Pedro). As pessoas não eram máquinas de ferro, precisavam de vez em quando de uma comemoração ("Isso quem vai dizer são as experiências que moldaram o indivíduo. Alguns precisam, outros não.", respondeu Pedro). Se eles fossem tão frios assim, não seriam felizes ("O conceito de felicidade de que falas é o criado pelo seu meio social-produtivo, não o absoluto.", questionou Pedro).

E acabou assim. Patrícia foi para seu lado ainda contrária ao modo de agir de Pedro, recebendo apenas seu olhar de compaixão por alguém tão facilmente manipulado.

O Homem é complicado. Era o que pensava Pedrão poucos meses depois, no seu aniversário. Quem entendeu quando ele ficou chateado por não receber parabéns de Patrícia? Só o Paulo. Fora entendido erroneamente pelos colegas, que lhe chamaram de "hipócrita" com palavras mais infantis. "Eles não entenderam nada", refletiu Pedro quando foi embora da escola de cabeça baixa. Não era do "parabéns" em si que sentiu falta, mas do valor o qual sabia que Patrícia tinha neste. Mas quem liga para conceitos de sociologia? Só Pedro e Paulo, mesmo.

Radigunda


Bateu a campainha que iniciava o intervalo entre as aulas. Para evitar o barulho dos estudantes mais novos ("pirralhos"), eles ficaram na sala de aula. De repente, Diego fez uma revelação: havia conhecido uma menina linda, chamada Radigunda.

- Ah, não. – disse Júlio.

- Não dá não. – concordou Gleidson.

Inocentemente, Clara pergunta:

- E aí pro nome dela?

Os meninos deram os ombros, sinal conhecido que quer dizer a mesma coisa que balançar a cabeça e sussurrar com mistura de pena e descaso: “meninas...”. Mas elas insistiram.

- Nome é só um rótulo. – disse Ana Paula. – Quer dizer, nem isso. É só uma etiqueta.

- Coisa horrível classificar as pessoas pelos nomes. – continuou Clara. As duas olharam para a terceira amiga ainda calada, Larissa. Logo ela, a Lala, feminista, de gênio forte, não podia ficar calada diante daquilo.

- Sei lá... – hesitou Larissa, constrangida pelo olhar das amigas. – Acho que concordo com eles.

- Quê?? – exclamaram suas amigas, enquanto os meninos vibravam pela vitória.

- Tipo, imagina um cara bacana pra caramba, com o nome Clarisbadeu. – argumentou ela. – Sei lá.

Fez-se um silêncio na sala, como de pêsames ao pobre Clarisbadeu.

- Égua... – disse Clara, como que surpresa por ver que aquilo realmente a afetava.

- Devíamos fazer uma lista de nomes proibidos. – sugeriu Gleidson. – Não que a gente vá excluir os que têm eles e tal, mas pra gente pelo menos evitar o contato.

- E a proximidade excessiva. – disse Júlio rindo.

- Pra começar, Radigunda. – disse Diego.

- Duzineide. – disse Gleidson.

- Clarisbadeu. – lembrou-lhes Larissa.

- Meretrides. – acrescentou Diego.

- Astrobaldo. – disse Clara embaraçada.

- Tudo que termina em “baldo”, acho. – disse Larissa friamente.

- Euácido. – disse Gleidson. – E se eu não me engano existe a versão feminina também, a Euácida.

- Leopoldo. – disse Clara.

- Hypotenusa. – disse Júlio.

- Sério, qual é o papo do nome “Clara”? – gracejou Gleidson.

- Robespierre. – disse Diego.

- Celidônio. – disse Ana, finalmente, com um pesar na voz de um passado escuro e amargo, trazendo um clima que só de dissipou com a campainha que marcava o fim do intervalo.

Eagle

 

O pai, de uma filha só, pergunta pra Jó, sua mulher.
- Jó, cadê a Ana?
- Tá dormindo.
Ele vai até o quarto e checa se Ana, a filha, realmente está como dito. É assim todo fim de semana, após o churrasco e cerveja. Quando ele chega tarde da noite a esposa está  lá, olhos cansados e um roupão, sentada à mesa. Após voltar do quarto ele senta à mesa calado, e então:
- Jó, cadê a Ana?
- Tá dormindo, amor.
Levanta-se novamente e dirige-se ao quarto, em passos vagarosos, ombros caídos e balançados.Vê a garota dormir um sono virginal, sonhos não sei aonde e o ar de leveza. É a garotinha do papai. Volta à mesa, volta à esposa que lhe espera, se senta, respira fundo, colhe do ar um pouco de fôlego, olha no fundo dos olhos da esposa, que apática, não retribui. Pergunta:
- Jó, cadê a Ana?
- Tá dormindo, bem.
Pela última vez ele se levanta e vai ao quarto, não sabe porque faz isso, mas está bêbado e isso já explica muita coisa. Abre a porta do quarto e lá está Ana, de costas, olhando pra fora, com um pé na janela; dá duas tragadas no cigarro que fuma e pula pra fora. Seu nome agora é Eagle32, e nunca mais a viram.

Orquestra


De repente tudo são risadas. Risadas, risadas, risadas. Risadas progressivas, subindo suavemente na escala musical até uma nota clímax, e depois do suspense – BAM! – a nota final soa como os pratos de uma orquestra, finalizando aquela pequena ode de alegria (risada: uma canção de alegria). Já outras risadas são constantes, a repetição de uma só tecla; outras saem violentamente como tosses de um tuberculoso. Ainda há aquelas que por si só já são motivo de mais risadas, formando um ciclo risonho. Risada soluço, risada musical, risada tosse, risada educada, risada motor que não pega, risada vírus contagiante, risada que custa a sair. Todo um repertório de instrumentos.

Braços. Mãos. Palmas. Aplausos. De palmas Zé Maria à palmas estalo de bombinha. Infelizmente as mãos não conseguem por si só muita variedade de sons, então elas pedem ajuda umas as outras. Vão ganhar na união e no ritmo.

Vozes. Das gritantes às sussurradas, das graves às agudas, das nasaladas às límpidas, das vacilantes às "nhá nhá nhá". As suaves, as de caráter duvidoso, as que fazem tremer os órgãos digestivos, aquelas que você conhece desde a infância, aquelas que lhe apoiam, aquelas que lhe fazem rir.

Risadas que riem a sua alegria, mãos que lhe afagam e lhe escrevem mensagens de amizade, braços que lhe abraçam, vozes que lhe cantam felicidades e lhe desejam parabéns, uma orquestra simples e magistral comemorando o seu mais novo ano de vida.

Dicas para escrever um bom texto

Um texto pode ter qualquer assunto como tema. Qualquer coisa pode se tornar um bom texto, principalmente se você escreve pra um blog, que exige muito menos que escrever pra um jornal. Mas mesmo assim ele deve ter uma boa qualidade e conseguir prender a atenção do leitor até o fim. Por isso eu vou fazer algo que não é comum do !SS, vou dar dicas.



1. Escreva certo

Procure escrever de maneira correta, usando um bom português e cometendo o mínimo de deslizes possível. Se você errar - e errar é inevitável - seja humilde e alegue licença poética.

obs¹: Caso o erro seja muito feio: corrija.
obs²: Se não houver mais jeito: paciência.





2. Escreva claro

Escreva de modo que as pessoas possam entender. Esse tópico pode ser descartado caso você queira escrever um nonsense , mas se você quiser levar essas dicas pro colégio, faculdade e até os confins da Terra, então não escreva nonsense, pois você pode perde ponto(s).
O importante é saber que num bom texto devemos escrever de forma clara, certo?



3. Rascunhe, revise e corrija
Sempre que puder, faça primeiro um rascunho do seu texto, revise, veja o que está errado e corrija.
Revise e corrija tantas vezes quanto forem necessárias, senão seus textos podem acabar como boa parte de meus antigos textos.
Os irmãos Wright deviam rascunhar, revisar e corrigir, eu imagino.



4. Se for tema livre



Procure bons temas. Procure temas em qualquer lugar, eles estão espalhados por aí. Estão no céu, numa mesa, numa sala, no seu amigo, no nariz do seu amigo, etc. Basta procurá-los, que você os achará.





O Elefante-Marinho pode ser um bom tema

5. Pense diferente

Tente pensar em coisas que as pessoas normalmente não pensariam, mas que vão pensar e se supreender após ler seu texto.









Santos Dumont pensava diferente dos irmãos Wright.

6. Leia bastante

Esse é um tópico que não precisa ser explicado. Todos sabem (ou deviam saber) que pra escrever bem, ler é fundamental.















7. Não mexa com estranhos na rua

Essa dica é essencial, pois você pode acabar mexendo com um cara muito brabo raivoso que é mais alto maior que você e ele vai querer te bater e vai chamar o amigo dele e o pessoal que tá com você vai correr com medo e te deixar sozinho, só que você é esperto e vai correr também pra não ter que bater no cara, porque senão eles vão se ferrarem.

Briga

8. Não fuja do tema

Não faça como eu no tópico acima. Fugir do tema pode lhe render um zero na sua redação e um desgosto terrível a quem ler o seu texto.
Se você fizer isso pra deixar o texto engraçado, então tá tudo bem, contanto que faça direito.






O telefone toca de madrugada...


Você demora um pouco para acordar. Ainda está naquele estranho estágio em que sonho se mistura com realidade. A impressão que você tem é que aquele jogo de pólo entre anões que você estava sonhando estava ficando violento demais, e o juiz (seu pai) teve que parar o jogo, e o apito tinha um som de telefone. Aí você acorda.

A primeira coisa que vem à cabeça é raiva. Você sequer pensa que pode ser que algum parente próximo tenha morrido. “Tou pouco me lixando!”, pensa você na hora. Um pensamento totalmente irracional, você sabe; mas quem consegue ser racional depois das duas da madrugada? Você se levanta e vai atender o telefone com passos pesados. Agora que o efeito do álcool do sono está passando, você está meio curioso. O que será que é?

Várias possibilidades.



Você atende o telefone. Uma voz grossa lhe diz (em inglês) para você prestar atenção, porque ele só vai dizer uma vez. Duas semanas depois você é prisioneiro em uma estação espacial russa, junto com uma cientista grávida de um alien e um cadáver de um velho israelita. Vocês estão tramando uma fuga usando colheres, pimenta, urina e a barba do morto. Você pensa secretamente que aquela ligação valeu a pena.



Você atende o telefone. Ninguém responde, mas você ouve uma respiração ofegante do outro lado. Dois dias depois você é encontrado morto segurando um criptograma, com um símbolo de uma mira na testa.



Você atende o telefone, e acaba em uma biblioteca jogando pôquer e ouvindo musica clássica. Noite difícil, você perde dois mil; mas tem certeza que o oponente de óculos escuros e chapéu coco está trapaceando.



Você atende o telefone. Seu pai morreu.



Quando você vai atender o telefone, ele para de tocar. O sono já foi embora. Você aproveita para ler um post nonsense no seu blog favorito.



Você percebe que quando mais chega perto do telefone, mais distante ele fica. Você começa a correr, mas o anão está fazendo uma marcação pesada. Seu pai apita uma falta.



Você atende o telefone. Lhe perguntam se há um carro verde na frente de sua casa.



Você não atende o telefone.

Sobre as linhas da folha de um caderno


Porque ninguém escreve sobre elas? Digo, não literalmente falando, mas vejam só a importância que essas linhas tem: elas organizam o nosso texto, pelo menos é pra isso que elas estão lá; Dão ordem às folhas e ajudam nas listas. Benditas sejam estas linhas!
Na verdade tudo isso é organização, eu é que não consegui pensar em outras vantagens. Podia até pensar mais algum tempo, mas tinha que postar hoje.

Um post sobre um pote


Prova de literatura no outro dia. Um amigo vai na casa do outro para “estudar”. Reparem as aspas. Ficaram no computador a noite toda, com o anfitrião mostrando ao convidado jogos violentos com gráficos impressionantes. “Muito firme!”, exclama o convidado.

Depois, não aguentando o encarar acusador das apostilas de literatura, eles vão estudar. Passava um pouco da meia-noite. Todos estavam dormindo na casa. O convidado era meio descuidado. Esses são os ingredientes da tragédia.

Descobriram que faltava fazer um trabalho. Precisavam de caneta. “A minha tá falhando”, diz um. “Tem um bocado no pote em cima da estante ali”, diz o outro. “Cuidado que a estante balança”. Você já sabe aonde isso vai dar, mas vou desprezar isso e descrever minuciosamente os próximos acontecimentos.

O convidado se estica para pegar a caneta. O pote lhe escapa. A estante balança. O pote vira. O pote e as canetas se preparam para a queda livre. Tudo vira um inferno.

Todos aqueles que já ficaram sozinhos tarde da noite (ou cedo da manhã) sabem como a madrugada tem o mau hábito de amplificar todo som feito naquele horário. Os mais experientes sabem que ela ainda insiste em fazê-los durar mais. Por exemplo, um BOOM se transforma em um BOOMMMM. Pior que isso é o silêncio que vem depois, que só serve para realçar o barulho que aconteceu. Todos estes efeitos são ainda mais eficientes quando há pessoas dormindo nos arredores.

Os dois amigos olham como que a foto do pote se virando. O mais perto podia muito bem evitar a queda, mas como já foi dito, era descuidado. O anfitrião sentia-se como como um torcedor quando vê a bola passando a um palmo da trave exposta. “Se fosse eu lá, a história seria outra!”. Mas não é ele lá. E as canetas em queda livre pareciam zombá-lo por isso. O pote dava cambalhotas no ar como que alegre pelo espetáculo que ele e o chão iriam oferecer.

Acredito que todos já ouviram falar sobre a Lei de Murphy. “Se alguma coisa pode dar errado, dará”. Mas talvez poucos conheçam suas variações. São mais ou menos como casos específicos de uma lei geral. Uma delas é “Se algo cai, ele cairá na posição que favorece maior dano a ele e ao corpo atingido pela queda (normalmente um pé ou, no caso de alimentos e cadáveres, um tapete caro ou uma roupa nova)”.

O amigo culpado apenas olha o pote caindo como gollum olhou seu precioso caindo no magma. Ouvindo When The Tigers Broke Free em algum lugar, o anfitrião pensa no seu futuro. A sua vida depois da queda do pote. A sua prova de literatura amanhã (ou, segundo o relógio, hoje). Ele toma uma decisão. Ele corre, se joga, se estica. Seus dedos tão próximos do pote... O pote tão próximo do chão...

Vou conseguir... Vou conseguir...

Maracutaia


- Já te disse, rapá, larguei isso.
- Largou nada! Tu vai fazer escola!
- Vai nada!
- Vai sim!
Estavam falando do Nonsense, os dois amigos. Os Estados Unidos levavam a culpa disso tudo.
- Os EUA ( pronuncia-se êua ) só leva a culpa porque tem a costa a larga - riu-se sozinho do próprio trocadilho. Um trocadilho safado, mas sem o êxito que almejara, um dia, alcançar.
- Me diz aqui, quem és tu pra julgar estapafúrdia canalhice ?
Um olha pro outro.
- Tomahawk é meu ator preferido! Adoro ele.
- Quem?
- Aquele de Forrest Gump.
- Iaí?
- Sei lá, vai digitando o que vier a tua mente, mas, por favor, arranja uma imagem decente. O resto sou eu com um punhado das origens na mão socando no texto um pouco de nada a ver, mas isso não significa ( it doesn't mean )  que eu vou ficar com os pés fincados aqui. Dá pra dar uma borboletada.

Voltei

Voltei.


Pronto, Rac.

Ser Racional


Embora algumas vezes eu discorde disso, sou a favor daqueles que pregam a morte das emoções. Isso é bem impossível, eu sei, mas falei no sentido não literal. Sou a favor daqueles que não se deixam morrer pelas emoções, ou que elas não tem quase papel nenhum em suas decisões. Exceções existem, mas existem também em tantas outras coisas que não faz mais sentido ter o trabalho em falar que elas existem aqui também.

Alguém pode imaginar uma pessoa assim como um psicopata sangue-frio, mas não falo disso. O ser quase-que-absolutamente racional saberia levar em conta que não há quase ninguém nesse estágio, e teria que ter cuidado com isso. Vamos tomar como exemplo Guilherme, que é um exemplo exemplar. Se sua filhinha chegasse da escola triste por que alguém havia rasgado seu desenho (“o melhor que eu já fiz!”), ele ainda a levaria para uma lanchonete, embora estivesse na hora dela fazer o dever de casa. Nada muito caro, porque aí também reside o ser racional.

Se sua outra filha, já maior (entenda: maior que dezoito anos), chegasse chorando por ter terminado com o namorado (“eu tinha certeza que era ele...”), Guilherme ainda saberia dizer coisas como “você tem os olhos lindos da sua mãe”, ou “você tão linda assim e ele ainda conseguiu terminar com você?”, ou “uma lágrima sua não vale a vida daquele desgraçado” (ser racional tem limites). E no outro dia, ele ainda serviria o café da manhã na cama dela.

Ouvindo uma piada ruim, Guilherme saberia dar o sorrisinho para não machucar o locutor. Ouvindo uma boa piada, ainda riria, tomando cuidado para sua alegria não ferir os menos alegres ali. Se Guilherme chegasse estressado do trabalho, ninguém perceberia. Estresse e raiva são mais contagiosos que qualquer doença, e ele, o racional, saberia disso. Indo a um velório de um amigo, ainda sentiria muito pesar e respeitaria o momento como ninguém. Talvez guardasse uma lembrança do falecido, talvez dedicasse algum tempo do dia a memória dele, mas sempre sabendo que o tempo passa, as pessoas mudam e se mudam, temos que pensar em nós que ainda estamos aqui.

Vejam que Guilherme não é intocável em relação a emoções, ele apenas as domina. O racional sabe que elas tem a tendência de se alastrar e de se impor a outras pessoas. Na sua tentativa de não contaminar a ninguém, ele deve ficar exausto, principalmente no início. Provavelmente recorreria a um papel e caneta, ou a um teclado e um blog. Guilherme sabe que o mundo talvez seria um lugar muito sem graça se todos fossem como ele, mas ele é necessário. Ele sabe como são complicadas as relações humanas.


Cansei. Digo sim. Cansei. Estamos a tempo demais sem posts, e os intervalos entre eles estão cada vez maiores. E odeio os posts falando de ausências futuras (esses sim parecem estar ficando mais frequentes). Cansei deles também. Me lembro dos tempos de outrora em que os posts eram bem mais frequentes e talvez mais interessantes. Me lembro de mim, interpretando as profundezas das experiências ordinárias e extraordinárias, vendo se rendiam um post. O mundo era um texto, uma parte de mim elaborava questões sobre ele, a outra parte respondia, e a resposta era um post. Uma parte de mim almoça e janta.

Isso é um bocado de bobagem, eu sei. Mas era tudo mais interessante antes. Me lembro de quando eu e o Theo concordamos que mesmo se não fossemos donos desse blogzinho, seríamos fiéis dele e ainda acharíamos ele bacana. Isso foi depois de jogarmos a modéstia no vaso e de darmos a descarga várias vezes.

- Sete vezes? - perguntei eu.

- Não, setenta vezes sete. - respondeu ele, mais sábio.

Claro que percebemos que aquilo não era grande coisa. Pouquíssima até. E eu ainda fiz um non-sense horrível. Vocês devem ter percebido que estou numa daquelas vezes que não sai nada de interessante e embora dê para reverter isso, dá um trabalhão e pô, são dez e meia de domingo a noite, sendo que vou sair amanhã cedo. Por uma semana.

Pô.
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