Um Minuto Dedicado a Platão


É um medo que tenho, esse de não conseguir desfiar bem um assunto interessante. Temas tão bons e tão desperdiçados... De vez em quando crio como que uma barreira; tanto não escrevendo por achar o tema ruim, quanto também não escrevendo nada quando pego um tema bom, por não me ver a altura no momento de desenvolvê-lo fazendo jus à sua qualidade. E nisso eu fico lá – ou melhor, aqui – na esperança da inspiração descer de repente com tudo pronto, desenvolvido e formatado em minha mente, só faltando eu conectá-la via manual ao blog, ou ao caderno, ou, sei lá, a um guardanapo. Às vezes acontece. Às vezes – como agora – não.

Nesses casos temos que desembaraçar o rolo de barbante nós mesmos, em vez de esperar que só deixando-o cair que ele se desembaraçará sozinho. E isso quer dizer: longos minutos, longas horas gastas, dependendo do assunto. Alguns demoram dias, meses, anos, mas isso é um blog, e não um livro de metafísica.

É de se pensar que exista uma terra longínqua, onde o Sol se deita e o arco-íris se levanta, e onde só existem rolos de barbantes. Vários e variados, de toda espécie e tamanho. Milhares, Milhões, Bilhões. Alguns tão embaraçados que dão dor de cabeça só de pensar em liberar um metro de fio. Um ou outro já estão desembaraçados em parte, alguns até já estão quase que totalmente soltos, mas estes são raros.

Alguns tão bonitos e desejáveis, mas com tantas pontas soltas, qual se deve puxar para desenrolá-lo? Outros rolos parecem extremamente úteis, mas tão densamente amarrados que não conseguimos ter uma ideia de sua complexidade apenas pelos poucos metros de fio soltos. Não adianta, nem as mais poderosas mentes deste mundo por si mesmas conseguem desembaraça-los mais, ou discerni-los. Um dos maiores rolos, do tamanho de um planeta, desembaraça-se lentamente (ou rapidamente?). No seu fim, um mistério que uns temem, outros desejam.

O observador mais atento (como chegou a uma terra tão longe?) percebe que os barbantes estão todos interligados, formando uma teia. Uns ligados a centenas de outros. Alguns ligados apenas a três, dois, no mínimo um. O Um, o qual a todos está ligado.







Outro medo que tenho é o de criar posts grandes demais...

Escritor sem confidente



  Escritor não pode ter confidente. Ninguém que leia seu texto e diga: "Escreveu isso por causa daquilo que você me disse ontem, né?" ou "Tem a ver com aquela menina, né? Sabia!". Não, nada disso.
  Escritor tem que ser assim: misterioso. Que até seja extravagante, mas esse negócio de saberem tudo sobre você é coisa de artista. E artista que se preze tem sempre um pouco de escritor. Homem público, vida privada. Sabe comoéqueéné? Tem que ter um pouco daquele mistério pra exercer certo fascínio, senão perde a graça.
  Um bom exemplo sobre isso é: como é feita a Coca-Cola? Se souber como é que faz perde a graça.
  Na metáfora acima eu sou a Coca e vocês são os consumidores, ou concorrentes. Sei lá. Não que eu seja essa Coca-Cola toda, claro.

Esses sonhos de criança...


Praia. Água, areia, vento, homem, criança. Esta última está dormindo.

O adulto, meio sonolento, sobe em um coqueiro de incontáveis metros de altura até a copa, acima das nuvens. Estavam lá três cocos, um feliz, um tristonho, e outro vermelho sem face alguma. Os cocos cochicham algo entre si e começam a rir baixinho. O coco vermelho, em vez de rir, inchava-se. O homem não sabia do que estavam rindo.

O coco vermelho, diante das risadas dos outros, cresceu até tapar o Sol. O adulto percebeu então que o alvo das risadas era este coco vermelho. “Ele precisa de uma boca para responder às risadas!” pensa, vendo o céu todo sendo tapado pela vermelhidão crescente. Arranca então uma folha de palmeira em forma de espada, e tenta desenhar uma boca neste novo sol que não parava de inchar.

BUM!

Uma supernova. O coco que estava sendo alvo das zombarias explode, e o homem cai dos incontáveis metros de altura até o mar. Morreu afogado várias vezes antes de chegar à praia são e salvo. Chovia água de coco e folhas em forma de espadas. A criança acabara de despertar.

- Tive um sonho estranhão. – disse ela enquanto brincava distraidamente com uma das lâminas clorofiladas que caíra por perto. - As pessoas andavam em caixas sobre chão negro, viviam em árvores cúbicas cinzentas e sentavam na frente de umas luzes lá... pareciam uns... tô me esquecendo agora, peraí...

A criança faz uma careta, procurando os detalhes que sumiam quanto mais tentasse lembrá-los. “Esses sonhos de criança...”, pensa o homem com um sorriso.

UUUUUUM ANO !


É com grandíssima satisfação que escrevo este post de UUUUM AAAANO do blog. É, é isso mesmo.
UUUUM AAAANO. E como eu vejo que provavelmente pouquíssimos vão ler isso aqui, vou escrever assim, pra poucos. Mas como se escreve pra poucos? Não sei. Crescemos muito pouco nesse UUUUM AAAANO de blog, mas o que crescemos, crescemos em qualidade. Graças a Deus hoje a gente tá aqui vivo pra contar essa história, que está sendo feita por anônimos. Mas prometo - sim, eu prometo - quem um dia ouvirão falar de nós. E que professores recomendarão que leiam nossos textos, que a água não vai acabar e que PEIXES EXISTEM! UUUUM AAAANO de blog é muita história pra contar. Quem dera que cada um de nossos seguidores fosse ativo, sendo que dois deles sou eu e um terceiro nos lava as botas.
Está por vir aí um videozinho de um ano, que espero que seja melhor que o video de 100 posts. Vocês verão OOUTROS membros da equipe - SIM! Esse blog recebe ajuda mais pessoas.
Por hora é só. Parabéns pra todo mundo. VALEU, BRASIL!

Um Minuto Dedicado a Sócrates


Mesma música de sempre... É, vamos ver se sai.

Desculpem-me primeiro pela ausência exagerada nos últimos dias. Deveres e afazeres. Vaidades? Tomara que não. Vamos lá, um momento para pensar sobre a Vida, o Tempo, o Universo e outras coisas fúteis que existem debaixo do sol.

O blog continua aqui. O prise tá chegando. Os fiéis estão aumentando, mas quanto a frequência que entram aqui já não sei. Um ou dois posts prometidos, mas sem data de entrega... Embora eu não estivesse escrevendo nada na minha ausência, a cabeça estava a mil.

Sim, muito a pensar. Acredito que posso me dividir em duas partes. O Rac'Meg Uvymer – às vezes sem o apóstrofo – e o Carlos Tales Benedito que, embora seja também um pseudônimo, representa meu eu real.

Será?

Segui a máxima Socrática de “Conhece-te a ti mesmo” e não pude deixar de notar uma diferença entre os dois. Carlos Tales Benedito seria uma pessoa modelada de acordo com a ocasião. Às vezes calado e tímido, às vezes rindo de tudo, fazendo piadas – muito – sem graça, e por aí vai. Uma pessoa normal, eu diria. Um Zé Maria, talvez?

Rac'Meg. O cara que pensa, que observa, que tenta fazer filosofias e entender as entrelinhas para ver se as consegue usar em linhas completamente diferentes. É a pessoa invejada por Carlos Benedito. Invejada por seus princípios firmes e bem formados, ou pelo menos em construção.

Quando Carlos Benedito faz uma gafe, ou se comporta de maneira errada, Rac'Meg sacode negativamente a cabeça com os olhos fechados e um sorriso triste. Quando Carlos fala algo que não devia a alguém, Rac'Meg se compadece dele e o aconselha em como resolver a situação. Quando Carlos espalha apatia se orgulhando de algo banal, Rac'Meg o encara com uma mistura de pena e desprezo. Quando alguém quer conhecê-lo, mas chega na hora errada e encontra apenas o Carlos, Rac'Meg apenas passa a mão na testa e espera o constrangimento e a decepção virem. E pensa em fazer um post sobre o assunto.

Os dois então tentam reconciliar-se, tentam fazer um acordo. Carlos quer ser um pouco como aquele o qual inveja. Rac'Meg está cansado de assistir à pessoa desinteressante de Carlos. Uma união!

Surge uma terceira pessoa, complicada pra caramba, cheia de manias estranhas e meio contraditória; às vezes um, às vezes outro. E às vezes essa estranha fusão de dois seres tão diferentes. Confuso como alguém com miopia que usa a lente correta em um olho e uma errada em outro. Alguém meio tonto e com dor de cabeça. Às vezes tão dedicado na busca da outra lente certa, que só tem olhos para isso e não vê mais nada.

E lá vem gafe de novo.
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