Augustinho



Augustinho era  um garoto, assim, meio ousado. Gostava de Waldick Soriano, curtia um bom filme sueco e era fã de Zé Mayer, tinha até um poster do galã no quarto. Para Augustinho, aproveitar a vida era amar, e amar para ele estava mais relacionado a números que a qualquer outra coisa.
Augustinho não perdoava. Quando as amigas de sua irmã iam à casa, Augustinho atacava; se alguma amiga mais nova de sua mãe a visitava, Augustinho agia. Em um mês trocaram cinco vezes de empregada na sua casa. Mas a gota d'água para a mãe dele foi quando ele atacou duas testemunhas de jeová que bateram à porta de sua casa.
- Augustinho, você não pode fazer isso com todas as pessoas!
- Ah, mãe, o que eu posso fazer?!
Augustinho era assim, se apaixonava facilmente. Certa vez, numa festa, ele atacou duas moças de uma só vez. Levou-as para casa, fez e aconteceu. Quando acordou, já sabe né... lá estava o Zé mayer olhando pra ele.

Texto Amassado


Aqui estou eu, coberto com um lençol, na posição fetal. Uma das doenças mais corriqueiras do mundo, mas que consegue nos arrancar qualquer gozo pela Vida. E aqui estou eu, sem gozo. Legal. Vou ver se escrevo um textozinho para me distrair. Ou ainda, para distrair a gripe. Não sei sobre o que ele falará, ou para onde irá. Meus Documentos? Nova Postagem? Lixeira?

Isso me faz lembrar que cenas clássicas de filmes, com Ele ou Ela vendo um poema/carta/texto amassado na lixeira Dela ou Dele, não são mais possíveis. Para saberem do que estou falando...



Chuva sem vento, noite, casa vazia. Uma árvore dando exatamente para a janela do quarto.

Ele, desesperado, bate na porta da casa como um louco. Não há resposta. Ele sobe na já mencionada árvore e vê o quarto vazio. Para facilitar o desenrolar da história a janela está aberta. Ele entra no quarto jurando que depois iria pedir perdão por esse ato desonroso, mas não era hora para formalidades.

O quarto escuro. Ela já fora.

Ele, mesmo sabendo disso, a procura por todos os lugares, até os mais improváveis, para mostrar seu desespero. Como se tivesse esperança que Ela estivesse apenas fingindo ter ido embora para ver sua reação de alguma câmera escondida. Mas não há câmera escondida. E Ela também não estava escondida debaixo da cama, nem no guarda-roupa, nem dentro do criado-mudo nem debaixo da lixeira. Mas dentro desta última, há uns papeizinhos amassados. Poemas Dela.

“Fujo de minha casa, de minha Vida
Sem saber aonde parar
Ou como será minha ida
Se irei ao alto firmamento
Ou ao profundo, escuro mar
Pois aquele o qual achei
Que me daria mais contentamento
Soube melhor me fazer chorar.”


Ou algo do gênero. Aí, vocês sabem, Ele ia ficar de joelhos, lendo e relendo o poema, suas lágrimas manchando a tinta, e esses papos todos. Mas isso já é outra doença que graças a Deus não tenho.

Concurso Melhor Blog Paraense

Bem, tchurminha do barulho, esse post aqui foi feito exclusivamente pra falar da nossa participação no concurso Melhor Blog Paraense. A gente já se inscreveu faz um tempão e ainda não apareceu em nenhuma das páginas do concurso. Acho que é pq a gente não tinha feito o post. Mas agora o post tá aqui e a gente também.
Há a chance dagente ficar com cara de otário caso o blog não apareça na página do concurso (e também ficamos com cara de otários se a gente perder isso), mas a gente tá contando com a ajuda e os votos de vocês, que já são uma ajuda. E se Deus quiser a gente aparece lá.

Embora



Sua vontade era a de fugir, fugir pra algum lugar bem longe dali, pra outro país. Estava motivado por uma vontade repentina, um desilusão, amor, uma música... sei lá. Estava motivado.
A África era uma opção, a Europa era outra, mas as coisas pareciam estar difíceis. Não fazer, não parecia opção, aparentava regra. Como ficaria a sua família? Apoiaria ou condenaria? E sua esposa? Não, ele não tinha esposa, mas se não fosse poderia estar perdendo a chance de encontrar seu grande amor. Enfim, estava indeciso.
Uma música toca na rua, como um sinal divino. Era o que lhe empurraria à decisão de finalmente fugir. Mas fugir de quê? Daquela vida monótona, afinal ele ainda era um jovem, e juventude não dura para sempre. Aquela era sua chance, ele deveria aproveitar.
Abre um armário e dele tira uma mochila, coloca algumas de suas roupas dentro dela e se prepara para a maior aventura de sua vida.
Ele estava decidido: não iria mais. Sabia que ia passar logo.

Momento Lukscolor


Como chegar a um momento Lukscolor? Não estaria exagerando se dissesse que atualmente, um dos grandes objetivos da minha vida seria responder a esta pergunta. Mas primeiro vou responder a pergunta que você deve estar fazendo.

Momento Lukscolor é o nome que eu dei para aquele momento em que sei lá. Sim, sei lá. Você simplesmente está assim. Imagine-se em um banco de praça debaixo da chuva, sem gente por perto, ouvindo o fino estalo dos filetes de água caindo nas diferentes superfícies: concreto, folhas, lagoa, madeira, etc. Você pensa em se levantar e ir a um lugar seco, e então percebe que um passarinho acomodou-se debaixo de uma dobra de sua roupa para proteger-se da chuva. Você fica ali, com a praça, a chuva e o som da mesma, e o pequeno companheiro. Não sei se esse seria um momento Lukscolor.

Um momento Lukscolor não precisa ser necessariamente feliz, nem extremamente emocionante. Acho que seria uma harmonia de acontecimentos, sons, ambientes e companhias. Bons, ruins? Tanto faz. O importante seria a harmonia.

Você vira parte do ambiente. Você está em harmonia com o ambiente. Você pensa o que o ambiente pensaria se fosse personificado. Você é a personificação do ambiente, da emoção, do som. Do cosmos, sei lá. É o momento que você não quer que acabe, mesmo que talvez não fosse alegre. Talvez fosse o momento em que você realmente fosse você, ou o momento em que você não é você. O momento que devia durar eternamente e que acaba em um piscar de olhos.

Devir



É interessante ver crianças brincarem. Elas brincam como se nada mais importasse, só ser feliz naquele momento, como se aquele momento nunca acabasse. De repente uma delas olha pra você e fica te encarando, e você não faz ideia do que se passa na cabeça daquela criança, como se a gente nunca tivesse sido uma. Então você também pára naquele momento e fica olhando pràquele pequeno pedaço de gente.
Aquele pequeno pedaço de gente vai crescendo. E o que ele quer é ser grande, até ser grande o suficiente pra querer voltar a ser criança. Então ele se acha observando crianças brincarem, quando uma delas o encara e ele não faz ideia do que se passa na cabeça daquela criança, como se jamais tivesse sido uma.

Franky


Hoje eram eles, na escola, no prédio de trás, na escada, faz diferença? Estavam lá. E não estavam sozinhos.

Pois eis que havia um louva-a-deus. Um mini.

Pequeno, não muito maior que uma unha, com um gingado de capoeira e pintas na perna como um mosquito da dengue. Por isso as piadas louva-a-deus da dengue, deus da dengue, seguidor de amon-rá, trocadilhos sem graça de alunos de ensino médio que riem de tudo. Quem era engraçado lá era o louva-a-deus. O Franky. O São Judas Tadeu. O Führer. Que nome lhe botavam?

Ele era engraçado. Aproximavam-lhe um celular e ele recuava como um gato, balançava como uma palmeira ao vento, calculava a distância como um atleta olímpico e pulava como um árabe suicida. De repente lhe dava vontade de correr, e corria da mão de quem o estava segurando até o cotovelo, ou até outra mão lhe barrar o caminho. Aí ele subia nesta e fazia tudo de novo. Era persistente. Era macho.

Vinham uns e outros apreciar este espetáculo involuntário que ele oferecia. Bonitinho esse Franky, diziam uns. Olha ele mordiscando a perna!, diziam outros. Preciso postar isso num blog, dizia outro.
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