Marina e Rivaldo


Marina se aproxima dele.

- É você o Flávio? – pergunta.

- Por você eu sou até o Rivaldo, querida.



- Jeito diferente de começar um namoro. – comentou um dos amigos de Marina, depois.

- Vai ver foi por isso mesmo que o namoro começou. – responde ela.



- Por que Rivaldo? – perguntou alguém no casamento dos dois.

- Sei lá, foi o primeiro nome que pensei. – responde ele.



- Tanto nome mais bacana para tu falar, como “Jeremias”. – gracejou Jeremias, o padrinho de seu recém-nascido filho.

- Mas ganhei a menina, não ganhei?



- A mulher do Jeremias disse que você acha que me “ganhou”. – comentou Marina depois do aniversário de cinco anos do filho.

- E não foi?

- Não. Quem me ganhou foi o Rivaldo. – disse Marina, maliciosa.


- Quem é Rivaldo?? – perguntou ele fingidamente com raiva, nas bodas de vinte e cinco anos.


- Foi um dos caras com quem me apaixonei. – brincou ela na formatura em engenharia do filho.


- O que uma cantada não faz... – suspira ele no chá de bebê do neto.


- O que um homem disposto a ser o que a mulher quiser não faz... – concorda ela nas bodas de ouro.


E o Flávio lá, esquecido.


Andava sozinho pela rua. Bolava um bom texto, um texto sobre aquele caminhar a sós consigo mesmo, pela rua. O texto já estava lá pelas tantas, e a mente dele também, quando vê um pobre homem sentado no chão, com uma camisa verde cobrindo quase todo o seu corpo. Ele deveria ter sentido pena, compaixão, etc. Qualquer uma dessas coisas deviam passar pela sua mente, e não duvido que tenham passado. Ele sussurrou baixinho.
- Bacana, vou ser assaltado.
Logo depois um certo pesar bate à porta de sua consciência. Mas isso tudo é muito normal onde vivemos. Bem vindo à Belém.

Dor de cabeça


Tudo passa lentamente. Muito lentamente. Ela soergue-se e grita de dor de cabeça, mas ninguém lhe ouve, a rua está vazia. A única presença ali é a luz do lampião e o reflexo da mesma na rua, na rua vazia.

O violão toca para lhe acalmar o sangue quente. Causa e efeito, em inglês. Uma linda feira medieval lhe aparece na mente, vendendo produtos de nomes desconhecidos. Objetos da ciência lhe latejam na caixa craniana, o piano toca no youtube e logo cessa, a amiga que nunca conversou pessoalmente acaba de entrar. Uma música que não lhe agrada está tocando. Aplausos que parecem insuportáveis para aquela ocasião.

Baixa, suave, macia, calma. A voz chega e as luzes da cidade lhe confortam. Não está mais enfurecida. Como uma ponte alguma coisa. Agora está calma, o coral atingiu seu efeito. Seus sonhos estão a caminho.

Ela dorme profundamente até a próxima vez...

Is tória?

Todos os dias, às dezenove e trinta, adentro a sala, assento-me em meu trono e olho para ela, a dona do meu olhar. Todas as vezes que preciso dela, ela está lá, pronta pra mim, como que a me esperar. Me escuta calada, mas sua voz é doce para mim, não preciso falar nada. Ela não me reprime,tampouco me repreende, me aceita como sou, pensei que era seu dono, mas ela me cativou.Te amo TV.










Figurante



Era como um filme adolescente. A protagonista tem uma queda pelo garoto mais popular da escola, que sequer a percebe. Por tal e tal acontecimento, ele o faz, e BAM!, o amor da pobre garota é correspondido. Ele, junto um buquê de flores, envia para ela um convite para um baile. Com certeza a protagonista iria pular de alegria na cena seguinte. Mas o protagonista desta história não é a protagonista do filme.

O protagonista aqui é o figurante. Aquele que apareceu naquela cena em que a menina andava sozinha tarde da noite na rua e o seu boyzão, que por sorte passava por lá, lhe ofereceu uma carona. Aquele vagabundo que aparecia no fundo da cena é o protagonista. Se lembra? Não? Pois é.

Agnaldo era seu nome. Não era nome de galã de filme. Era um nome comum.

Era muito insensível e, como a maioria das pessoas que passam a maior parte do tempo vadiando na rua, não tinha muito respeito por mulheres. Não tinha, e achava ridículo ter.

Também achava ridículo se humilhar por qualquer pessoa que fosse. Achava ridículo dar valor a uma pessoa a ponto de se mudar por ela.

Sim, ridículo, pensava ele enquanto arrancava uma rosa da praça deserta.

O que estou fazendo? Pensava ele, enquanto deixava que seus pés o guiassem. O que meus amigos falariam se me vissem segurando uma rosa no meio da noite? Ia amassar a rosa em sua mão, mas não pode deixar de fazer uma comparação entre a flor e ela.

Era uma moça de família, e de boa escola. Nunca iria ligar para um vagabundo como ele. Infelizmente histórias com damas e vagabundos só terminavam bem nos livros. Ele sequer sabia desses livros.

No meio da noite, desesperado, na frente da casa dela, com uma rosa na mão.

Chegou a tempo de ver o garotão abrir a porta do carro elegantemente para ela. “Ela” é uma ofensa. Estava espetacular, pelo menos aos olhos dele. Viu-a entrando no carro, e eles partindo para o horizonte escuro. Viu uma das rosas que caíra do buquê que ela carregava. Muito mais bem cuidada que a desnutrida flor que segurava. Não chegou a ver o cartão graciosamente escrito que ela tinha recebido.

Deixou sua humilde flor arrancada da praça no correio dela, e sentou-se no meio-fio da calçada. A garota provavelmente iria evitá-lo quando chegasse. Não a culpava.

Era o personagem errado na história errada.

Só pra



Só pra postar aqui o videozinho que alguém (eu) preparou para o blog. É só pra anunciar o !SStv, que já tem quase todo o material, menos as pessoas. O pessoal que tem que gravar aqui nunca vem, e isso pode ser um problema. E também, só pra dizer algo bom, eu vou aparecer, eu acho . Quem sou eu? (Who am I? - em inglês). Bom pras garotas. Eu sei que isso irrita. Beijo. Ponto. Ponto final. Ponto





Penta do Brasil



Ponto do Brasil



Valeu.

O futuro é hoje


Disse o poeta: “ Eu vejo o futuro repetir o passado”. Verdade. E verdade seja dita, Cazuza não era o mais sábio dos poetas, mas foi sábio como poucos em sua poesia.
No caso o poeta é Cazuza, e quantos lembrarão de Cazuza daqui à dez anos? Cazuza é só mais uma repetição do passado, do tempo passado antes de Cazuza. Acredito que num futuro próximo muitos dirão que já não se faz músicas como antigamente. As músicas de hoje serão as músicas de antigamente.E falarão que NX Zero fazia poesia, que Calypso falava ao coração e que RBD era bom demais. A história é a mesma, só mudam as personagens.
Não admiro Cazuza, acho que não era dos melhores exemplos, mas ele falou como poucos o que todo mundo já sabe, mas vive esquecendo: O Tempo não pára. E o que o Tempo faz é isso, o fazer cair no esquecimento.
Se no futuro lerem esse texto , no Brasil, e precisarem que seja explicado quem foi Cazuza, eu digo: calma, é só o futuro repetindo o passado. E ainda mais: o futuro é hoje.

Céu em cima, Mar em baixo


Ninguém o elogiava. Não era um exemplo, e jamais o fora. Não tinha quem chorar pela sua morte; nem quem, vestido de preto, lhe fizesse uma homenagem, mesmo que falsa.

Agora o mar rugia, o céu gritava. Cansados de sua calhordice? Ele não duvidava de nada. A natureza o pegou, e não tinha como escapar. Não ia ser uma morte heróica. Não ia ser uma morte histórica. Talvez até se esquecessem de botar seu nome na lista de mortos.

Não, não ia ser agora, pensou ele. Não ia ser morto por todo aquele azul assassino. Agarrou-se firmemente a um pequeno destroço de madeira, rezando para que pudesse lhe manter flutuando, mas se lembrou que não tinha para quem rezar.

O pedaço lhe aguentou. Não é hoje!, pensava ele, fazendo gestos obscenos ao azul em sua volta. Ouviu tossidas de uma boca cheia de água.

Não sabia por que tinha feito isso, mas fez. Trocou sua vida fútil por uma vida jovem que nunca tinha visto. Isso era impensável para sua mente calhorda.

Ninguém o parabenizaria por aquilo. A criança, quase no auge da falta de oxigênio, não devia ter visto sequer seu rosto. Não havia ninguém filmando, nenhuma testemunha, só o mar embaixo e o céu em cima.

Aguentou uma das piores mortes que existem calado, sem arrependimento, sem peso na consciência. Pensou se seria lembrado por alguém na lista de mortos do naufrágio. Não, pensou com um sorriso meio estranho, cheio de água salgada. Sorriu para ele mesmo, para seu novo lar, para seus novos amigos, para o céu em baixo, para o mar em cima.
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