Imagem Bacana


Uma sala de aula de dois alunos. Um deles era uma garota, e se chamava Brisa. João Falou:
- Professor, a sala está quente.
O professor perguntou como poderiam resolver aquele problema. João propôs:
- A Brisa poderia ficar entrando e saindo da sala por algum tempo.
Brisa fez isso. Aristóteles disse que todas as coisas tem seu lugar natural. O professor disse:
- Você é um poço de ideias.
- Eu sou um poço de ideias. Sem fundo.
- Poço sem fundo ou ideias sem fundo?
Os outros quarenta e três sorriram, apenas sorriram.

Ridículo


- Ridículo.

Pronto. Era o que faltava. Ele caiu num abismo infinito e escuro, sem esperança e alegria.

Ela era tudo. Ele não era nada. Só com ela. Ela era sua vida, sua Luz, com L maiúsculo. Se não a amasse, a odiaria por ter feito sua vida passar a ser em função dela. Dela. E ela o chamara de ridículo. A função Vida passou a dar erro.

- Ridículo.

Nenhum ultrarromântico podia botar defeito no que fez. Fez tudo, Tudo. Com T maiúsculo. Malhou, estudou, mudou seu estilo, se declarou de um modo que até as flores choraram. As flores que dera a ela. Tudo perfeito. Tudo ridículo.

- Ridículo.

As palavras ecoavam para aumentar sua dor e escurecer mais o abismo. Não gostava mais de nada. Futebol, feijoada. Nada. Tudo sumiu como uma pequena estrela some à luz do Sol. Isso. Ela era o Sol. Com S maiúsculo. Tudo se ofuscava na presença dela. Ele era uma pequena partícula tremendo de frio querendo alcançar o calor daquela espetacular estrela. Estrela. Estrela que lhe achava ridículo.

- Ridículo.

Etc.

Faça


Imagino que vocês, leitores e não-leitores do blog, não estejam cansados das nossas histórias. Imagino também que vocês até gostem, e que até usem/usaram algo, que viram aqui, em seus trabalhos de colégio, ou rodas de conversa, ou num papo pra impressionar uma garota(o/ão). Imagino também que seja até divertido comentar nesse blog e começar um papo maneiro com pessoas desconhecidas e anônimas também, o que é a mesma coisa, exceto aqui no blog (leia os comentários), mas ai eu também penso: onde queremos chegar com isso tudo? O que queremos fazer com isso tudo? Qual o impacto que causamos em vocês? Seremos para sempre os anônimos que escrevem bem, ou pelo menos acham isso? E isso vale também para o tal do Beerman que eu não sei nem o nome, mas gosto, e pro Ricardo Thadeu, que tá sumido, e pra você, caro leitor, que não tem um blog, ou tem, mas sempre tá aqui nos estimulando à(?) continuar com seus comentários. Façamos algo diferente, algo que revolucione, mas façamos! Façamos uma revolução! Ou seremos para sempre pessoas especiais vivendo vidas normais, fazendo coisas normais, sendo pessoas especialmente normais, o que é triste. Faça algo com o que você tem. Deus lhe deu algum dom.Use-o. E não importa se você está pouco se lixando pra Deus, ou se você já não tá mais gostando do post. Tanto faz. Faça algo!

Sem Sentido, Naquele Lugar


Aquele lugar. Aquele lugar onde as coisas não fazem sentido. Leopoldo estava lá.

- Não estou aqui. – disse Leopoldo. – E meu nome é Johnny. – continuou.

Olhou em volta e não viu nada que fizesse sentido.

- Nada a ver. – disse.

- Concordo. – disse Alguém.

- Quem é você e como se chama?

- Alguém, Alguém. – disse Alguém.

- Por que esse lugar não faz sentido?

- Ele quer fazer, e para ele, ele faz. Qual é a definição de “sentido” afinal?

Os dois suspiram e vão a um moinho, que não tinha sentido.

- Não tenho sentido. – disse o moinho, confirmando.

- Entendo. – ponderou Leopoldo.

- Quem são vocês? – perguntou ele.

- Alguém. – disse Alguém.

- Mercíolo. – disse Leopoldo. – O rio está seco. Como você se move?

- As águas passadas me movem. – respondeu o moinho.

- Alguém já disse isso. – disse Alguém.

- Você?

- Não. Alguém disse. – Alguém disse.

Amistad


- Ei, cara, já ouviu falar que se houvesse uma explosão nuclear num lugar somente as baratas se salvariam?
- Já. E se a gente se vestisse de barata?
- Talvez nos salvassemos.
- Mas as baratas sairiam ilesas?
- Eu imagino que sim. Baratas saem ilesas.
- Testemos?
- Sim.
E lá se foram dois amigos americanos e duas cidades japonesas.

De tirar o fôlego


Ele passou a vida toda na Caverna, e só agora via o Mundo. Tinha bom olho para paisagens. Como alguém que viveu na Caverna tem bons olhos para paisagens? Não sei. Mas ele tinha.

E aquela era de tirar o fôlego.

Brilho, calor, cores. O céu se despontava num fantástico jogo de amarelo, laranja e vermelho. No chão a cidade sendo varrida por ventos, árvores dançando ao seu ritmo. E a luz. A Luz! Tudo brilhava como se o Sol estivesse na terra, e podia sentir o calor, calor esse que lhe abraçava gentilmente depois de tantos anos na Caverna gélida, escura e silenciosa. Aquilo era o contrário. O vento fazia ensurdecedora melodia que o fazia querer gritar para acompanhá-la. Encheu os pulmões e gritou, contemplando as formas extraordinárias que as nuvens tinham, no formato de círculos e um grande cogumelo.

“Liberdade!”

Ficou assim até ser engolido pela explosão.

Razão quem tem


Dois jovens intelectuais conversando num pub.
- Cara, o Jorge é um cara legal, porém é muito tímido. Acredito que a sua timidez seja fruto de um trauma psíquico de infância causado por algum agente externo, ou seja, isso é resultado de alguma experiência ruim acontecida no passado. Alguns traumas produzem mudanças físicas no cérebro, talavez seja por isso que ele reclama tanto do tamanho do seu Lóbulo lateral., mas se nós nos aproximarmos acredito que ele se integrará ao grupo.
- Não adianta! O cara é uma função exponencial em pessoa, Maurinho, ele não se integra nem se integrará! - responde o outro.
- Ah, Pedro! Esqueça-o! Como está aquela jovem com quem tem tido sonhos mesmo antes de dormir?
- Ah, não sei. Ela parece muito simpática, mas bem reservada.
- Queres casar?
- Sim, mas só com o fim de reprodução, para estudar o comportamento humano num relacionamento de extrema intimidade que tenha uma duração considerável.
- Que frieza. Nenhuma moça te anima?
- Sexualmente falando?
- Sim.
- Nenhuma, até agora, me fez liberar uma quantidade de Endorfina digna de largos sorrisos, ou imensa culpa.
Se entreolham e continuam.
- Que tal Coca-Cola ?
- Seria ótimo com batatas fritas.
- Cara você é uma PG ambulante.
- Você diz isso?
- Sim, você sempre tem razão.

Pobre brasileiro cego pelo futebol


Parou na frente da casa dela e bateu palmas. Ela abriu a janela e o olhou inexpressivamente.

Era o seguinte: Eles tinham marcado um jantar às sete. Mas antes, às cinco, ele tinha ido a um bar com os amigos. Chegou lá e viu que ia passar o jogo do fluzão. Do Fluzão! Não posso perder, pensou ele. Um pobre brasileiro cego pelo futebol.

E o jogo do fluzão começou, e o jogo do fluzão terminou, e, putz!,oito e meia. Ele sai correndo e vai ao restaurante combinado sem trocar de roupa. Ela não está lá. Só podia estar em um lugar então.

Parou na frente da casa dela e bateu palmas. Ela abriu a janela e o olhou inexpressivamente.

- Carol...

- Hm?

Ela olhava friamente para ele, naquele famoso estado onde a raiva aparece mais fortemente do que se estivesse gritando.

- Amor... Eu ia...

- Ia ir ao encontro, mas encontrou algo mais importante, né?

- Não foi isso!

- O que foi? Foi o jogo do fluminense, não é?

Ele não falou nada, mais culpado do que se tivesse gritado “Sim!”

- Ah, Marcelo, tinha TV no restaurante, você podia ter visto lá, sabia?

- Carol, eu ia lhe levar pra Fortaleza.

Hotel Oásis Atlântico Imperial, cinco estrelas. Não era mentira.

- Eu trouxe passagens e tudo, olhe!

Ele tirou do bolso da calça. Tinha levado ao bar para mostrar orgulhosamente aos amigos.

- Carol, eu ia lhe pedir em casamento lá.

Um mês de salário para pagar as seis parcelas da aliança. Ele não sabia nada sobre o assunto, então comprou a mais cara que viu.

Ela tentou parecer indiferente, mas tremia dos pés à cabeça.

- E se passar o jogo do Flu na hora do casamento, Marcelo?

- Por favor, não diga isso! – disse ele, impaciente. Eram nove da noite.

Ela fecha a janela, agora chorando.

Ele entra no carro de cabeça baixa, jurando nunca mais ver jogo do Fluzão.

Por que os homens são tão complicados?, pensava Carol.

Por que as mulheres são tão complicadas?, pensava Marcelo.

Parmênides

Eram dois amigos conversando, até que...

- ... era muita enrolação pra muita pouca ação. – disse o primeiro. O segundo deu uma risada zombeteira.

- Não é “muita pouca”, é “muito pouca”. – disse.

Silêncio.

- E tu é professor de português agora?

- Pelo menos não sou desempregado, e não vivo nas costas da minha mulher.

Indireta.

- E nem conseguiria, aquela mulherzinha torta que só sabe cozinhar.

- Talvez, mas o homem da casa ainda sou eu, e não ela.

- Olhaí, mesmo se “muita pouca” estiver errado, não é motivo de briga. – se esquiva o primeiro.

- Admitiu, foi? – impede o segundo.

- Admiti nada, não é errado falar “muita pouca”.

- É sim. – diz o segundo.

- É não. – diz o primeiro.

- Parmênides dizia que o que é, é; e o que não é, não é. – diz o terceiro.

Os dois olharam para o terceiro, imaginando como um otário desses havia entrado na história.


Nariz


Estávamos lá nós quatro. Eu, Marcos, Augusto e seu nariz, ou Nariz e seu augusto. Augusto era um cara simpatico, gentil e narigudo. Seu nariz era tão grande, que quando estávamos com ele nós não pássavamos de pontos-materiais pràquele nariz. Tão grande que cada pessoa a sua volta não passava de um satélite pràquele nariz. Mas Augusto era um cara feliz, pelo menos era o que ele dizia. O nariz de Augusto também era um cara feliz, que de tão grande parecia estar vivo. Certo dia ele disse:
- Vou embora.
Nós concordamos. Ele era um cara adulto, que fazia o que queria quando achava melhor.Eu disse:
- Tchau.
- Tchau, Nariz - disse Marcos.
- Tchau - Augusto e seu nariz responderam, quas em uníssono.
Foi-se embora. O Homem e seu nariz. O Nariz e seu homem.
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