Pessoa


Mãe e filho. Assim estão: a mãe sentada à mesa e o filho brincando de carrinho. Augustinho é o nome da criança, que como toda criança, passa pela fase dos porquês. O garoto levanta-se, vai até a mãe e pergunta:
- Mãe, o que eu sou?
- Você é meu filho amado - a mãe responde.
- Não, mãe, o que eu sou? - Augustinho pergunta novamente com a dúvida expressa na testa.
- Você é uma pessoa.
- O que é uma pessoa?
- ...

O que fazer?

Eu Mesmo


-E quantos Eus existem?

O outro faz cara de quem teve aula de filosofia pela primeira vez.

- Olha aí, eu me vejo de um jeito. Mas isso é paradoxal, porque eu não me vejo.

O outro olha o infinito.

- Pensa bem. Por que é tão interessante se ver numa filmagem? Porque só aí que nós nos vemos como os outros nos veem. Então qual é o verdadeiro eu; o que nós achamos que somos ou o que vemos numa filmagem?

- O que nós achamos que somos! – respondeu o outro.

- Aposto que respondeste isso pensando no velho lema “Não se importe com que os outros pensam, seja você mesmo.” Mas às vezes o eu mesmo é diferente do que achamos que seja. Os arrogantes, por exemplo, não se acham arrogantes. Acho.

- E aí?

- E aí o eu que nós somos aos olhos dos outros pode ser um eu ruim até aos olhos do eu mesmo.

É quase visível a interrogação sobre a cabeça do outro.

- Já ouviu falar que a pessoa não ouve sua voz como os outros ouvem? Só conseguimos a ouvir quando é gravada. Qual é a nossa verdadeira voz então, a que nós ouvimos ou a que os outros ouvem? Aí a resposta universal seria a voz que os outros ouvem. Mas em relação à pessoa que nós somos, falam o contrário: o que importa é o que nós achamos que somos. Entendeu o paradoxo?

Silêncio.

- Imagine que você não sabe como é sua aparência, e conhece um clone idêntico a você sem perceber que é seu clone. Talvez você não gostasse dele. Talvez... você o odiasse. O odiasse por nunca ter visto que você era assim por outro ângulo, ou por nunca ter ouvido sua voz de fora de seu corpo. Você odiaria o outro sem saber que era você mesmo. Por só ter uma visão superficial do você mesmo na sua frente.

O outro entendeu. Os dois ficaram ali, agora filósofos, olhando para o Mundo Das Ideias, (agora sem acento em ideias) até os dias de hoje.

Amor


Amor é isso
Inspiração para tantos poetas
Sofrimento, Escolha
Carboximetilcelulose

Amor é isso aí
Amor é qualquer coisa
Amor a qualquer coisa

Amor que a gente ama
Objeto amado
Amor
Amor que a gente coisa

Amor, pra que amor?
Amor pra fazer sorrir?
Amor pra fazer chorar?

Tchau, vou tomar chá.


Error


Brincadeira besta.

- Aí, quantos dedos tens nas mãos?

- Dez, égua.

Local: Pará.

- Não. Queres ver? – Pega uma mão do outro e faz contagem regressiva com cada dedo. – Dez, nove, oito, sete, seis. Seis dedos numa mão, com os cinco da outra dá onze. Viu?

- Mas como? Como? Com...

Sua fala trava, e depois fica como um CD arranhado. Seu amigo não entende o que aconteceu, e logo vê que tudo está com erro. O espaço está distorcido, o chão está se despedaçando deixando transparecer sob ele um azul infinito, para onde tudo começa a cair travosamente.

O ambiente em volta começa a ficar cada vez mais distorcido até tudo se transformar em quadrados, como um rosto censurado. Como uma tempestade de areia, vê-se no horizonte uma transformação, se espalhando pelo chão, de árvores, casas, prédios, pessoas, até o céu, em códigos. Enfim, o chão, agora uma grande sequência de zeros e uns, se despedaça totalmente e tudo cai no azul infinito, no qual aparece uma mensagem de erro.







- Deu pau aqui. – disse um dos programadores da Matrix, em uma língua desconhecida.

Raki Romeu


Uma sala de aula vitoriana. Isso aí. Vitoriana. Uma professora durona, alunos submissos e um aluno diferente. Raki Romeu, um aluno um tanto mais esperto, sem muito estilo, mas isso viria com o tempo, a mãe ainda o arrumava. Ele usava óculos tão grandes que serviam de espelhos para quem o olhasse frente-a-frente, uma roupa normal para os padrões da época.
Os alunos submissos eram simplesmente submissos como todo aluno submisso.
A Professora Durona era bem durona, fazia ginástica, escondida, cinco dias por semana, pois acreditava no lema: " Corpore sano, mens sana ", além de querer parecer bem mais bonita do que era, o que era bem pouco.
Dois de abril. A professora começa a falar sobre o Cavalo de Tróia quando Raki pergunta.
- Professora,era costume pedir desculpas dando cavalos enormes de madeira?
- Não - respondeu a professora.
- E por que os troianos aceitaram?
- Por que era educado da parte deles.
- Isso parece ingenuidade. Eles não pensaram que se os gregos quisessem pedir desculpas eles mandariam flores? Eu pediria desculpas com flores, não com cavalos gigantes de madeira.
- Mas você tem que entender que isso foi uma estratégia de guerra, Raki Romeu Shariff II.
- E então por que você ainda entra nesse blog?

Gastronomia


Ingredientes:

01 frango cortado em pedaços pequenos;
sal a gosto;
pimenta-do-reino a gosto;
04 dentes de alho amassados;
suco de um limão
cravo-da-índia socado.

Para empanar

03 ovos;
02 xícaras de farinha de trigo;
sal a gosto;
farinha de rosca, o quanto baste.

Preparo:

Tempere os pedaços de frango e deixe por 2 horas descansando.

Bata os ovos, coloque sal, passe os pedaços de frango na farinha de trigo, depois nos ovos batidos, e por fim na farinha de rosca.
Frite em oleo, quente até dourar,bom apetite!





PARABÉNS, MOHA!




Nota 0 para minha criatividade.

(*) Estrela (*)


Marcelo olhava, absorto, o nick ( *) Estrela (*) em seu MSN, no grupo “Desconhecidos”. Havia adicionado em alguma comunidade dessas “add aí”. Não sabia quem era, nem como parecia. A imagem de exibição era uma paisagem com montanhas no horizonte e o céu forrado de estrelas.

Usando a versátil palavra oi, puxou a conversa. Se alguém perguntasse a Marcelo depois, aquele tinha sido o melhor momento de sua vida. (*) Estrela (*) substituía vez em quando o s por um x, usava alguns cute smiles (não sei o equivalente no português) na conversa, algumas vezes uma ironia leve e inocente, carinhas deixando transparecer uma personalidade sensível e feminina.

Quase inconscientemente, criou o grupo “Paixões” e lá botou (*) Estrela (*).

Marcelo passava a madrugada no MSN, matava aula, pulava refeições, não dormia. (*) Estrela (*) nunca estava offline, apenas colocava no seu estado “Dormindo *-*”, ou “Comendo, mas não muito xD”, ou ainda “Escola ;-;”. Ela tá na escola! Deve ser da minha idade, pensou ele esperançoso. Tinha 15 anos, idade onde ainda se pode sonhar. E sonhava. Imaginava sua vida ao lado de seu contato. Imaginava os dois juntos na praia, à noite, brincando ao redor de uma fogueira, ele a impressionando com suas habilidades no violão. Não sabia tocar, mas podia aprender.

Diga-se que Marcelo nunca viu (*) Estrela (*) como uma pessoa, apenas como um contato. Quando tinha seus devaneios com ela, (*) Estrela (*) era apenas um bonequinho virtual do MSN, ou uma linda menina com um rosto invisível e paradoxal e igualmente bonito. Não dessas que faz os jovens de sua idade a desejarem por um dia ou semana, mas por uma vida. Não conseguia a imaginar com outro nome senão Estrela.

Um dia, (*) Estrela (*) estava visivelmente feliz. Era incrível como ela deixava transparecer suas emoções pelas palavras digitadas da conversa, pensava Marcelo.

Consegui uma webcam! ^-^.

Marcelo não disse nada.

Vamos nós dois conversar por elas?

Marcelo ainda calado.

Tio! x.x

Não ia cair nessa, pensava Marcelo. O risco era demais. Podia ser uma criança, ou, sei lá, um homem. Estava apaixonado pelo contato, não pela pessoa por trás dele. (*) Estrela (*) pediu sua atenção. Ele respondeu bruscamente. Ela se magoou. Ele perguntou por que estava magoada. Ela disse que ele deveria saber por que, então não ia falar. Se bloquearam.

Foi a primeira briga.

Coisas que você não sabia


1 - A maior palavra do mundo é:
Palaptekeshshimogytirayvrendaminocatcherposcopiaeletroglicerada
drhuqwexlobdrianipalamanesh - pequantocimiliminopateloconstospiametralhizada.


que significa amor;

2 - O eco do pato não faz quack;

3 - Leite Ninho tem cianeto de potássio, mas não leite;

4 - Os cinco power rangers são seis, as vezes sete: Caim e Abel

5 - Os sobreviventes de Hiroshima estão mortos.

6 - Melhor é morrer do que perder a alma

7 - Quem conta um conto aumenta um ponto. Quem conta dois contos aumenta dois pontos. Quem não conta não sabe contar.

8 - Certa vez Chuck Norris foi citado no Sem Sobrenome e um post acabou na hora.

Silent Hill


Era o seguinte: ele tinha ganhado uma mesa de ping-pong, e me convidado ir a casa dele jogar. Rodrigues era o nome dele, e Mário o meu, na ocasião.

Chegamos lá e tal, comemos pipoca e tal, e era a hora do Grande Jogo.

- Bora? – sugeriu ele.

- Bora. – concordei.

Mas nada. Não encontramos a raquete, ou a rede. Tenho que dizer que a casa dele era mais bagunçada que o quadrado do coeficiente de desorganização de todas as outras casas que já havia ido antes juntas. Contando a minha até, que tem uma mesa que em alguns dias me lembra o Lixão do Aurá. Principalmente nas segundas, que era o dia em que minha casa havia passado mais tempo sem ver a mulher que vai lá pôr uma ordem. Talvez por isso que “segunda-feira” sempre tenha significado para mim desorganização, ruína e morte. Não preciso falar que era uma segunda.

- É a minha mãe. – acusou ele. – Tudo que ela pega some.

Foi algo assim que ele disse, não lembro mais. Depois de meia-hora procurando (nos aventurando é mais adequado) já havíamos perdido alguns conceitos de humanidade, modernidade e civilização. Procuramos aparentemente pela casa toda, até que ele me mostrou um corredor escuro que dava para a parte de trás (ou da frente, sei lá) da casa. Era um desses lugares onde os mocinhos costumam morrer nos filmes de terror. Havia em toda a extensão do corredor dezenas de caixas e móveis antigos e sacolas e...

Chegamos ao final do corredor. Era o antigo quarto de Rodrigues. O Limite da Esfera do Conhecimento Humano é um nome mais próprio. Ou apenas Submundo também serve.

- Cara, não é possível a gente não achar. – disse ele. Eu, olhando ao redor, não respondi. Achava bem possível, sim. Parecia que haviam pegado todos os móveis e utensílios de uma casa normal e jogado em um só quarto, e o abandonado por vários anos.

Rodrigues achava vários utensílios de quando era criança, relíquias do passado, e eu estava imaginando. Se houvesse radiação ali, eu sentiria a tempo de sair correndo sem danos permanentes? Valia mesmo à pena tudo aquilo?

Saímos do quarto de Silent Hill 4, e adentramos no corredor, que dava a sensação que no fim encontraríamos uma cama com algemas e injeções letais prontas. Aí eu já estava conformado, atravessei o corredor com passo firme. Iria mostrar como se morria um homem.

Real Madrid x Liverpool


Dia desses eu estava vendo Real e Liverpool. O segundo tempo bem emocionante, cheios de altos e baixos, com uma vitória meio que inesperada do time inglês, que ficou recuado o jogo inteiro. Aí, no outro dia, era São Raimundo e Paysandu.

Isso me faz pensar, faz sim. Sobre as grandes ondas da vida. Um dia vendo Liga Dos Campeões, outro o campeonato paraense. Um dia o Êxtase, outro a Crise Existencial. Dia a Liberdade, outro o Catastrofismo. E esse Catastrofismo passava na Cultura.

Tenho muito a agradecer a Cultura, é verdade. Agora, ao invés de só ouvir meu time perder pelo rádio, posso vê-lo. E secar o time que não torço. Que ganhou, aliás. Mas, por melhor que seja o fotógrafo, uma foto de um Rac’Meg ainda será uma foto de um Uvymer. Ouço o narrador falar sobre as paisagens de Santarém no meio do jogo. Também não tenho nada contra Santarém. Pelo contrário, já fui lá duas ou três vezes, e é uma linda cidade. Alter do Chão então, nem se fala, a praia mais bonita que já vi.

Mas quero ver alguém falar de Santarém num Real e Liverpool.
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