Consultório

Estavam ali. Os dois. Os dois estavam ali, sentados, esperando pra serem atendidos. Era o consultório de uma psicóloga, ou psicólogo. Tanto faz. Na porta que dava acesso à sala do psicólogo, ou psicóloga, estava escrito: Lorem Ipsum. Lorem Ipsum não significa nada.
Ele era Márcio Mangabeira, ela era uma moça bunduda. Uma moça bunduda e sem nome. Ela tinha uma bunda tão grande que quando sentava ficava um metro mais alta. Esses eram os dois que estavam na sala de espera, sentados, esperando por um atendimento personalizado e algo mais.

Ele reparava a mulher, e como ela ficava incrivelmente alta enquanto sentada. Ela reparava a própria bunda, que de tão grande, não era totalmente sensível.
Ambos esperavam que algo acontecece, como um Devir. Ambos esperavam algo mais. Ambos esperavam o que ambos esperavam. Ambos esperaram e nada aconteceu. Nem o Devir.



Fórum Social Mundial


O calor era de matar, a umidade não permitia que o suor evaporasse, as calçadas fediam e havia manifestações nudistas pelas ruas. Havia também um ônibus, desses chamados carinhosamente de “quentões”.

- Ih, rapaz, alguém tem uma toalha pros coroas aí? – disse o motorista ao passar por uma manifestação nudista. – Cobre os olhos da menina aí, chefe.

Pois o "chefe" era o cobrador, e a "menina", uma mulher.

- Mas tu tá mais no ponto que os sem-vergonha aí no sol quente. – disse o cobrador à jovem, que estava vestida de noiva. Sim, vestida de noiva. Num quentão. Ao meio-dia. Não preciso dizer que se chamava Marcela.

Marcela sorriu; um segundo depois foi arremessada para frente com o freio.

- Foi mal. Tem uns John Lennon passeando aí na frente. – disse o motora indicando uma manifestação hippie com o queixo. – Tua lua-de-mel não vai ser na universidade não, né chefe? Tá só índio lá, que falaram.

- Não. Ia ser em hotel, mas tão todos cheios. Foi bem improvisado. – disse o cobrador, o afortunado recém-casado. Ou desafortunado, dependendo do ponto de vista. Não preciso dizer que se chamava Alfredo.

- Desculpe. – desculpou-se. Marcela sacudiu a cabeça.

- Não tem problema. Até no meio dos índios, seria perfeito. – falou carinhosamente.

- Então é bom a gente parar. – disse o motorista rindo. Acabavam de passar por um grupo de índios. – Mas rapaz! O pintado ali ta mais equipado com eu. – exclamou, apontando para um deles que estava pintado como uma onça (pintada), filmando a cidade com um mp7.

- Ah... – resmungou Alfredo. Os índios tinham se encontrado com os hippies e os desroupados, e agora estavam conversando na frente do quentão.

- Vamos descer aqui mesmo! – disse Marcela. E desceram.

As calçadas fediam; os indígenas conversavam com os hippies e os velhos sem roupa; os muros, pichados; o calor de pleno meio dia em Belém; o suor encharcando o vestido de noiva; ela com a cabeça no ombro dele, recém-casados, de mãos dadas.

Sala 7, Prof. Os’Asbech


Aqui, neste texto, neste post, estarei me despedindo do meu querido personagem Zé Maria. Sim, já estava na hora, não queria abusá-lo. Repito: Ao leitor José Maria que porventura se sentir ofendido com a analogia que faço ao nome, peço desculpas. O que aconteceu foi que estava pensando em um nome para um personagem comum, e foi mencionado perto de mim José Maria da Silva. Poderia ser João Henrique, ou Otávio Macedo. O João, aliás, é um grande amigo meu.









- Boa tarde. – começou ele. Era a turma da tarde. - Sou o Prof. Os’Asbech, professor da Sala 7.

Sentou na cadeira da mesa do professor e começou a chamada. A sala era repleta de alunos interessantes, Os’Asbech conseguia ver a personalidade da pessoa apenas lendo seu nome e a ouvindo responder "presente". Se não respondesse assim, ainda melhor. Alguns responderam com rimas, trocadilhos, filosofias de vida, hinos nacionais e nomes de barcos da família. O último respondeu algo em irlandês, então, começou-se a aula.

- Bom, bom... Temos vários alunos interessantes aqui, e poucos Zés Marias. Vou deixar bem claro: Se tem uma coisa que odeio, são Zés Marias. – disse, falando veneno e maldições de morte.

- Afortunado era o coração,
as manhãs ainda brilhavam,

bonito era o dia.

Mas chegou a maldição.

As pessoas se espelhavam:

Eram todas Zé Maria. - observou um aluno, e Os’Asbech o observou.

- Qual seu nome? – perguntou.

- Fagner.

- Das Estrelas?

O rapaz assentiu.

“Correto, rapaz”, continuou Os’Asbech. “As pessoas se espelham em uma só. Ninguém sabe como começou, mas o final é previsível: Todos se tornando iguais, reflexos de si mesmo e de seu grupo. Vou redeixar bem claro: Ninguém desta sala, ninguém, irá ser um Zé Maria. Vocês me entenderam?”

A turma concordou temerosa.

- VOCÊS ME ENTENDERAM? – gritou ele, imitando Nascimento. A mesma resposta. Os’Asbech ficou circulando pela sala, como um tubarão a procura de um pedaço de carne depois de sentir cheiro de sangue.

“Aliás, eu reparei na chamada que alguém aqui tem um nome bem... comum...” falou, saído de um livro de Stephen King.

O aluno José Maria da Silva viu, horrorizado, o professor psicopata se aproximando dele, guiado pelo cheiro de seu nome.

Tinha o nome errado na sala errada.

Ócio



Ele estava lá, no seu costumeiro ócio de começo de noite, se preparando para o nada. Ele estava lá. Alguns dizem que ele ainda está.

Olhava para a poltrona ao lado, para o sofá a frente, para a mesa do outro lado, nada de interessante. Esse era o verdadeiro ócio para ele. Prazeroso, tudo em repouso. Um verdadeiro lazer, até que...até que ele avista um garrafa. Uma garrafa bonita, em cima de uma estante, com o desenho de um barco. Aquela era a garrafa mais interessante que já havia visto. Coisas impressionantes poderiam estar dentro daquela garrafa. Um gênio? Mulheres? Um gênio com mulheres? Dinheiro? Fontes de riqueza? Sorvete de queijo?

Ele pensou seriamente em pegar aquela garrafa que estava na estante. Seriamente. Ele desistiu. Resolveu ficar sentado, ou semideitado. Tanto faz. Continuou ali, preferiu não cair no abismo que sua mente estabeleceu entre ele e a garrafa. Preferiu o costumeiro ócio às riquezas da garrafa.






Circuito Interno


Os dois num apartamento estilo Apartamento Do Século XXI, olhando um rapaz parado na garagem do prédio pelo televisor, que transmitia a imagem de vinte e duas câmeras espalhadas pela propriedade. Era uma dessas situações sociais constrangedoras em que duas ou mais pessoas fingem se interessar em algo fútil para não trazer a tona emoções e lembranças desagradáveis.

- E então, o que você estava pensando quando fez aquilo? – disse Matilde, trazendo a tona emoções e lembranças desagradáveis. Carlos ainda fingia estar interessado no rapaz imóvel, vestido como um hippie, que uma das câmeras mostrava.

- Eu não estava falando sério, querida. – Ele não tirava os olhos do televisor.

- Claro que você não estava. Você nunca está. Você também não estava falando sério quando me olhou nos olhos e falou sim ao padre, no altar, não é?

- Claro que estava. Você está fazendo caso por nada... Esse cara não se mexe não?

- Que se ferre esse cara! – disse Matilde, aos gritos. – Depois você cantou a menina na minha frente!

- Poxa, era brincadeira, querida. Eu queria ver se aquela cantada era boa como me falaram.

- Francamente! Aquela do motorista?

- Sim... A mina ficou derretidinha, não ficou? – disse Carlos, rindo. Matilde fez um barulho semelhante ao de leoas protegendo suas crias.

- Ah, Matilde, deixe disso. Era brincadeira... Você só deve estar de TPM.

Não devia ter dito isso, disse seu senso de autopreservação masculina. Não devia.

Nisso o rapaz hippie ainda parado, na garagem.

Hola, Muchachos!




Voltay, povo! Para alegria do Eu ( em inglês: Earl), Eu Lírico; de vocês, talvez; do Rac; da Seleção Italiana de Futebol e de alguns outros, talvez. Voltei, e voltei para dar alguns avisos:


1 - Vou estar meio sumido. Vou começar a estudar pra prova da UnB.

2 - Meu nome não é Johnny.

3 - Não tenho muita coisa pra falar. Tinha que postar pq é minha obrigação.

4 - Já voltei a criar histórias.

5 - Ainda não voltei a postá-las.

6 - ALÔ, DERCY!

7 - Alô - respondeu Dercy

8 - Os avisos acabaram.

9 - Por enquanto.







Cotidiano [O Sétimo] -

Coisa desgraçada. Poucas coisas odeio mais que um mosquito voando próximo ao meu ouvido. Pois ontem um mosquito voou próximo ao meu ouvido. Dei um tapa involuntário para matar e acertei minha orelha. Minha rosa dos ventos ficou girando por algum tempo. Depois de meus sentidos terem voltado ao normal e de ter certeza de que a sensação de estar caindo no céu infinito era só impressão, olhei para minha mão, desejando ter o prazer voraz de ver o inseto esmagado ali. Não tive.

Devia ser uma bela tortura pegar um copo cheio de mosquitos e carapanãs (Ahn... pernilongos) e botar sua boca na orelha de um condenado. O som do voo deve constar em algum desses livros da Idade das Trevas de torturas tão agonizantes que a própria leitura do livro já era uma. (Usei a palavra voo como a nova gramática ordena que seja usada. Abraços ao Theo, à minha família, aos fiéis do blog e ao Veríssimo, que me deu a idéia de escrever isso aqui.)

Quem já viu alguém com tanto ódio que ri sem parar sabe como é assustador. O sangue quente fluiu à minha cabeça. Quem tivesse me visto no momento teria visto um psicopata risonho de olhos vermelhos, com caninos pontiagudos e sombras acentuadas no rosto. E umas picadas ali e acolá.



Se parar de postar por um tempo é por que peguei dengue.

Festa


















Uma festa para esquecer as lágrimas, problemas, angústias, vida, trabalho. Que são, basicamente, a mesma coisa.

- Oi. – cumprimentou Maria, com um approaching característico.

- Oi. Cheguei tarde? Vim de ônibus. – falou Silva, com um sorriso de têmpora a têmpora.

- Nesse horário? Meu avô morreu num assalto nessa hora mesmo, num ônibus. – disse Zé, com os olhos molhados.

A música pára, os balões estouram, começa a chover. Maria e Silva olham para Zé com fúria. Era pra ser um momento de descontração, não de avós morrendo em ônibus.

- Hmm... Triste. Você já provou esse musse? - disse Maria, tentando voltar à feliz atmosfera.

- Não é musse, é mousse. E isso não é musse, é pudim. – disse Zé, não deixando. O mousse apodrece e as paredes perdem a cor. (Ou musse, ou a mousse, ou pudim, sei lá.)

- Já ouviu essa música? – perguntou logo Silva, botando uma música feliz de Beethoven.

- Eu já. – falou Zé. – Já ouviu a história dele com a mulher que queria se matar por não ver a lua? Tinha um velório...

Falta luz e se criam goteiras com a chuva. Silva olha de Zé para Maria, com olhos vermelhos, mostrando que tinha uma idéia. Maria, mais controlada, sussurrou que não teriam onde esconder o corpo.

- Já pensou como é não poder enxergar a lua? Meu avô falecido me dizia que a lua abriga a alma das pessoas próximas que faleceram. Eu nunca acreditei, mas depois de sua morte eu juro que vejo seu sorriso nela.

Maria e Silva se olham desesperados. Não havia como voltar ao antigo clima, era irremediável. Os dois suspiraram.

- Pô. – se rende Maria.

- Pô. – concorda Silva.

E choraram juntos.

Avisos

Galera do barulho! Só entrei pra deixar alguns avisos e pedir desculpas por que a gente não posta faz algum tempo. Desculpa.

Avisos:

- Estamos de férias. Ficaremos sem postar por tempo indeterminado.

- Voltaremos a postar ativamente a partir do dia 19.

- Eu sou bonito.

- John Debaldiano voltará.

- Eu também.
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E...desde já agradeço a todos os leitores deste blog. Que Deus vos abençoe.

foto nada a a ver

Primeiro Post do Ano

Domina essa, Theo.








Vou viajar e esses papos todos. Irei ver se consigo continuar postando durante esse período, mas não prometo nada. Ao anônimo que eu havia conversado, peço desculpas. Eu realmente ia postar o Paradoxal antes dessa viagem, mas eu achava que ela ia ser amanhã, por isso que não prometi nada. Esperto, hein?

Minha boa aparência e formosura continua imutável.
Feliz 2009 a todos os fiéis do blog. Ao resto também.
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