O último post do ano!


























É meu. Desculpa Rac'Champs!

Prof. Os'Asbech


- Um tema. – pediu ele, com uma luz que vinha dos Céus projetada em sua cabeça. Meio dia em Belém.

- Matrimônio. – algum dos alunos bem-letrados disse. E Os’Asbech começou a narração que se segue, com uma jacinta pousada em seu braço. (Malz, sulistas.)




O Russo e a Rita. O Russo, eslavo, a Rita, não. Casamento marcado para fevereiro, mês de muita chuva, samba e Salinas. Marcaram como um encontro. Tem compromisso pro dia X? Bora fazer um rolê legal? Falou assim mesmo. Rolê. Quem fala rolê hoje em dia?

E no dia X, se foram se casar. O Russo, eslavo, o padre, ulemá, e a Rita, não. Realizou-se na orla do Ver-o-Rio, que na época (hoje) parecia um atoleiro. Começou-se uma discussão entre o ulemá e o Russo sobre o Holocausto, onde o povo do último teria exterminado o povo do primeiro, mas descobriram que não. Não foram os eslavos, foram os germanos. Não foram os árabes, foram os judeus. Aquilo não era um casamento, era um encontro. Por que eu trouxe essa tuba?

Rita chorava. Perguntaram o que foi. Ela falou que não poderia se casar com ele. Por quê?

- Sou judia!

E terminou assim. O Russo (eslavo) nunca mais viu a Rita (não). Mas ainda encontra nas sextas o ulemá, na Bob’s, para reverenciar Buda. Não mencionam mais o Holocausto, para não reviver as atrocidades que cometeram no passado.




- Boa. – disse Pop Magrela.

Sacrifício



- Põe na sete. – disse Marinaldo, pelo telefone. Era uma dessas frases que se confundem entre pedido e ordem, que só amigos próximos se dão ao luxo de falar, entre si. Com os devidos cuidados, claro, para não dar em briga, separação e morte.

Bob, o interlocutor, olhou para a TV, que estava a alguns metros. Longe, muito longe. Não preciso falar que Bob era gordo. Todo Bob é gordo. E ele era.

- Pô, cara, não dá. Tá muito tumultuoso aqui. – disse ele.

- É o show do Zé. O Zé Ramalho!

Aí era outra história. Nenhum tumulto daria lugar ao show do Zé. Bob traçou a trajetória em direção ao televisor. Iria pelo lado do ventilador (ligado!), da cadeira de exercícios que tinha virado suporte pra livros... E onde estava o controle? Não estava ao alcance de sua mão, onde deveria estar. A empregada doméstica o havia deixado do lado da TV. Para que um controle do lado da TV? Bob procurou um papelzinho para escrever um lembrete de demitir a empregada. Mas o papelzinho estava longe demais.

- Não vai dar pra ver, não. Tem muita coisa no caminho.

- Mas é o show do Zé!

- Tem uma cadeira... Um ventilador... Pô, um ventilador ligado!

- Tu que sabe. Ele tá cantando Chão de Giz. Tchau.

Bob ficou lá, desolado. Imaginou o Zé cantando Chão de Giz, mas não. Às vezes um homem tem que fazer sacrifícios. Ficou sentado como um mártir na cadeira de seu micro. Sim, era duro, mas precisava fazer isso, sacrificar aquilo que se ama.

Era um verdadeiro homem.


John Debaldiano [6]


"John, o Fim está próximo.", essa era a frase que estava na mente de John Debaldiano. Seria essa a ultima história de nosso querido John? Seria essa a ultima vez que escutaremos, ou leremos, sobre ele?

Era 25 de dezembro de 2008, John Debaldiano recebe um sms que dizia que seu amigo Ló Fim chegaria à cidade dia 27, e se hospedaria na casa de John. Ele estava certo. O Fim estava chegando.

26 de dezembro de 2008:

ÓCIO

27 de dezembro de 2008:

Ló Fim chega à cidade. John Debaldiano o leva até seu apartamento. Fim estava meio nervoso, tinha medo de avião, e costumava fazer besteiras quando ficava nervoso. John pergunta a Ló:

- Tudo bem?

- Eu pareço bem? - responde Ló.

- Talvez

- Porque?

- Porque parece.

- Então tá.

- Você ainda mata gatos por diversão?

- Não, só mato quando estou nervoso, e não mato gatos.

- Vossa Mercê está nervosa?

- Tá me chamando de mulher?

- Não

- Porque?

- Acaso tu gostas que te chamem de mulher?

- Tá me chamando de mulher, de novo?

- Não

- Rapá! Tô ficando irritado contigo...

- Mas eu não estou irritado, tu te irritas sozinho.

- RA-PAZ...

Ló Fim quebrou um vaso qualquer na cabeça de John Debaldiano, amarrou-o numa cadeira qualquer, fechou todos os ralos, bloqueou todas as portas de saída, ligou todas as torneiras, choveiros. O apartamento começou a alagar, quando a água chegou a altura dos joelhos Ló Fim se jogou através de uma das janelas. John ficou inconciente até o final. Até hoje.

O Fim chegou para John Debaldiano.

Coragem


- É aí. Vamos entrar?

- Ah, cara, não sei... Quem aí entra não volta, nunca ouviste?

- E tu acreditaste nisso? Cara, tu precisa de coragem, se não tu não chega a lugar nenhum na vida. Tu acha que Colombo ia descobrir o novo mundo se ele estivesse com medo? Ou os bandeirantes, a Amazônia? Tu estarias casado com a filha da primeira fortuna do país se tivesse tido medo de se declarar pra ela?

- É verdade, cara, mas é de nossas vidas que estamos falando.

- Coragem rapaz. O que tiver aí a gente enfrenta junto. Imagina se a gente descobre ouro, diamante, petróleo, sei lá. Confia em mim. Sabe que nunca te passei a perna ou dei conselho mal dado desde que te conheci. Confia em mim?

O outro hesitou, mas viu o sorriso de seu amigo. Sentiu a coragem brotando no peito, e entraram juntos.

Nunca mais foram vistos.

Sem Título, mas Arbusto


Oito dias de viagem, e ele estava sentado à beira do caminho, bebendo da Fonte das Sete Quedas, de onde os beduínos saciam a sede. Olhou para um arbusto.

- Oi. – disse o vegetal.

- Oi, eu sou o Guerra. E você? – perguntou Leopoldo.

- O Paz.

O arbusto se transformou numa pomba caucasiana e pregou aos sete cantos do mundo mensagens de paz e John Lennon. Leopoldo, por sua vez, não.

Chegou um rapaz, que rimou com paz.

- E aí.

- Oi.

É um diálogo.

- Como vai?

- Bem.

- Pois é.

- Nome?

- Pop Magrela.

- Fagner das Estrelas.

O rapaz se foi, e Leopoldo chorou, sinceramente, mas não por muito tempo. Um cara aparece do nada.

- Meu nome não é Johnny. – diz o cara.

- E qual é seu nome?

- Não sei, mas não é Johnny.

- O meu não existe. - disse Leopoldo, comendo uvas como um rei.

Faltou ali

faltou ali no fim do ultimo post:

Mãe, te amo...e feliz natal ai!

Dona Matilde



Dona Matilde, sessenta e seis anos de idade, mãe de dois filhos, dois homens e uma mulher, ganha o prêmio Dondoquinha da Terceira Idade, que o Clube das Damas da Terceira Idade oferecia todo ano à senhora mais charmosa. Era a terceira vez consecutiva que D. Matilde ganhava, era o terceiro ano de D.Matilde no clube. Conseqüentemente ela conseguira muitas amigas, adimiradoras e inimigas.Enquanto ela comemorava o tri-campeonato alguém arremessou um garfo à D.Matilde, que se feriu no braço e foi levada ao médico. O médico puxa um papo.

- Tudo bem, D. Matilde?

- Tudo - ela responde.

- Como a senhora se feriu?

- Arremessaram um garfo no meu braço.

- O.K. Vou cuidar disso. A senhora é diabética?

- Não, sou de Bragança.

- Entendi. Então quer dizer que você vem à minha casa, não me traz um presente, me chama de padrinho e ainda pede a minha ajuda? - O médico arrisca citar The Godfather.

- Hã? - D. Matilde não entende.

- Eu citei The Godfather.

Dona Matilde, que não era lá muito fã de Cinema, faz a seguinte manifestação:

- IUHASISIHASIHIAIIUSISHSAIHiiuHIH|uihisahiasiHASHSIHSDIHUSDJOCNXZJKDSFOKNEFWGBIajI|HNi\JIhiI\I|hI\UIoJiujIAHSDAJSADIHDSASADUHUHASFXCKMNIKSJBOijIOJJOIJOoijhushsdiauhasihas....





...














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- Entendi. A senhora prefere com gelo ou sem gelo?

- Sem gelo.

Post 50 - Cotidiano [Número Seis]


Estou presenciando um momento especial, exclusivo. Nunca vi um dia mais nublado e dramático. Desde que acordei, não vi o Sol, mas não está chovendo, também. Nem fazendo sol.

Sinto o vento frio até os ossos, tudo mais parece simplório. O blog, o miojo que comi no almoço. Tudo. É impossível imaginar alguém sorrindo agora, ou contando uma piada, sei lá. Tudo são trovões e névoa. Trovões e névoa. Blog e miojo, não.

De repente me dou conta de como somos patéticos. Eu aqui, sentado, escrevendo o novo post para o blog, com o gosto de pasta de dente na boca, tocando Moonlight Sonata no fundo, com uma câmera me pegando de perfil. Tudo muito preto e branco. Finalmente começa a chover, as gotas são filmadas em câmera lenta se esparramando pelo cimento cinzento, onde séculos atrás havia floresta virgem, cutias, orquídeas, botos cor de rosa. Revoltas, rebeliões de escravos que abalaram o país inteiro. Agora tudo em preto e branco.

- É agora, cara... Não podemos mais voltar atrás.

- Mas... pô, eu tenho família...

- Mas se não fizermos isso, tua família vai ser escrava que nem tu. Pelo bem dos nossos descendentes! Vamos ser lembrados pelos próximos séculos!

E lá foram eles conseguir a carteirinha de meia passagem. Não, não foram lembrados. Tudo que eu lembro é do miojo de galinha do almoço, sendo que prefiro o de calabresa. O de calabresa tem um quê que o outro não tem. Sei lá.




Vã Filosofia


Acordo, levanto, olho pela janela e vejo que não está nevando. É Natal em Belém. O Natal é uma bela época, uma bela época para ganhar e perder dinheiro. Tudo bem. Sigo meu ritual matinal: acordo, fico olhando pro teto, levanto, tomo café, tomo banho, escovo os dentes e depois saio pro trabalho, não necessariamente nessa ordem.

Todas as manhãs, quando estou indo pro trabalho, um cara que sempre está sentado no mesmo lugar, o chão, grita: "ARREPENDAM-SE NAZISTAS!" . Já notei que ele só grita quando eu passo. Algumas pessoas já notaram que ele só grita quando eu passo. Ele já notou que só grita quando eu passo.

Quando chego ao trabalho, eu trabalho, é isso que as pessoas fazem em seus respectivos trabalhos, ou empregos. Tanto faz. As 5 p.M eu saio do trabalho, no corredor do prédio da empresa em que trabalho sempre está a filha do chefe (bobocão) cantando Rammstein, sempre. Inclusive no Natal. No caminho de volta pra casa eu encontro novamente aquele cara que fica sentado no chão, e dessa vez ele grita alguma coisa em hebráico.

Daqui a sete meses não vai nevar em Belém. Não vai ser Natal. Em Belém nunca neva. Chego à casa tomo um banho, assisto tv e procuro algo pra comer, nem sempre acho, nem sempre nessa ordem. Ai eu penso em qual presente eu gostaria de ganhar no dia de Natal. Penso em vários, e lembro que é possível que eu não ganhe nada. Então eu lembro que o texto que eu escrevi não tem nada a ver com o título. Tudo bem, eu não ganho mal, a mulher do chefe se tornou uma próspera fonte de renda. Ou seria imaginação?

Sorteio


Eram todos velhos amigos, e velhos. Os mais novos eram apenas colegas, ou brotinhos, como eram chamados. Estavam no ritual religioso brasileiro conhecido como churrasco. O almoço, agendado para uma, aconteceu três horas, como o programado. Por causa da chuva, falaram, mas se não tivesse chovido arranjariam outra desculpa.

O sorteio... falei que ia ter um sorteio? Pois iria ter um sorteio. De bolas, ventiladores, coisas do tipo. Sorteio era só o nome, tinha um prêmio para cada participante, todos iam ganhar alguma coisa. Era só para ficar mais emocionante, ou fazer o álcool subir à cabeça, como disse o organizador, com o álcool subindo à cabeça.

Cinco horas da tarde. Os costumeiros cento e vinte minutos de atraso haviam passado. Sentia-se o cheiro de álcool dali a várias jardas de distância. Com alguma ajuda dos brotinhos, Reinaldo, o organizador, fica de pé e assume o microfone.

- Bom...! Eu sou o Reinaldo, mas pode me chamar de Rei. – começou ele, piscando para uma estagiária nova. Demorou alguns minutos para lembrar-se do que estava fazendo ali.

- Bem...! Nós íamos ter um sorteio agora, né? Que horas são? Cinco e meia? Hm. – de repente ficou extremamente solene. – Estamos aqui essa noite... para celebrar os nossos empregos nessa grande instituição brasileira, comer um filézinho... Me lembro de quando nós nos conhecemos... Éramos tão jovens e... sonhadores!

Lágrimas caíam de seus olhos, tomados pela seriedade da situação.

- Olha lá o Pedrinho! Era um moleque ainda quando entrou... O Barbosa, o Felipe, o Zé Maria... Todos tão velhos e formosos!

Os ouvintes sentiram os olhos umedecerem. Abraçaram os próximos, apertaram as mãos dos brotinhos. Boa sorte, novato. Amanhã será você, ali chorando. Rei olha para o horizonte com uma expressão de angústia.

- Estamos aqui, com alguns que foram embora, despedidos, mortos, mais ainda vivos, sim. Ainda vivos dentro de nossos corações.

Alguns tentam se suicidar, mas são detidos com compaixão pelos outros. Todos fazem uma roda e começam a chorar. Abraçam-se mutuamente e começam a fazer um coro de músicas de esperança. Rei sentado como um príncipe, trazendo no rosto como que cada segundo vivido com muita seriedade e sobriedade.

E nada do sorteio.

Tédio



Finalmente, depois de alguns angustiantes Cotidianos sobre esse tema, uma narrativa para finalizar. Ou não.


Eram três amigos: José, Maria e Silva. Estavam naqueles finais de semanas que são esperados a semana inteira, mas quando chegam, decepcionam. Eram três decepcionados, e entediados.

José olhava para Maria, que olhava para Silva, que olhava para uma interessante poeira no chão, que se movimentava periodicamente. A cada setenta segundos, ele havia conometrado. Enquanto José pesquisava google no Google, Maria segurava o telefone com as duas mãos, na esperança que ele tocasse. Já havia ouvido falar que telefones sempre tocam quando se está no banheiro, então foi ao banheiro. Ele tocou. Foi correndo atender, mas se deparou com a luta voraz de José e Silva, que tinham o mesmo objetivo, atender o telefone. Maria arrisca sua vida e pula, agarrando o aparelho.

- Alô? – atendeu ela, com uma felicidade zen.

Era uma empresa de televisão. Ela se fez de interessada só para continuar o diálogo capitalista. Os outros dois amigos olhavam para ela, invejosos. Traíra, pensou José. Vaca, pensou Silva.

Mas tudo que é bom acaba. Maria, depois de apreciar por alguns minutos o sinal de ocupado do telefone, o desliga. De repente, o interfone toca.

- Tem um vendedor de enciclopédias aqui, deixo entrar?

Os três se olham, e olham para a porta, de onde em alguns minutos apareceria o vendedor. Não eram mais três amigos, eram três adversários. Somente um iria conversar com o vendedor, e nenhum estava disposto a deixar o outro ganhar esse prazer celestial. José estala o pescoço e alonga os músculos. Maria vai à cozinha e pega uma faca. Silva vai ao quarto e pega uma 9 milímetros.

Haviam vivido para aquele momento.

Che gay



Cheguei, galerinha radical! Depois de uma longa busca, de dois dias, por inspiração, eis-me aqui. Enfim, durante a minha jornada fiz muitos amigos (dois), um pra cada dia; conheci muitos lugares, como a famosa Ilha dos Mamutes, que já não existe mais; e comi muito mal.

No primeiro dia, quando estava na China, lugar onde as tartarugas são admiradas, logo percebi que o povo chinês é muito alegre, o que me animou. Pensei que seria o suficiente, senti-me inspirado, mas ainda não era o suficiente. Resolvi ir para o Vaticano, que é menor que qualquer país. Talvez seja por isso que ele, o Vaticano, é considerado o menor país da Terra. Tudo bem, continuei a minha jornada, já que em poucos passos eu já estava fora do Vaticano. Então fui para na Ilha dos Mamutes, que já não existe mais.

Em nenhum destes lugares encontrei inspiração. Voltei para Belém, lugar onde Jesus nasceu. Onde encontrei um cara chamado Meu Nome Não é Johnny, mais conhecido como...não importa como ele era conhecido. Meu Nome Não é Johnny abordou-me dizendo:

- Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes...

Logo percebi que ele estava citando Rui Barbosa, e que percebeu que eu estava roubando seus patos. Os dele, não os seus. Uma garotinha pulava de um lado para o outro cantando " Enquanto minha mãe molha as plantas, meu pai recarrega a arma...". Achei interessante. Também achei melhor sair correndo.

Cheguei à minha casa, de um modo que eu não sei explicar. Deitei no sofá, o sofá da minha casa, relaxei, e então eu percebi que todo o meu estro está na forma em que olho as coisas ao meu redor, do mesmo jeito que aquela música que fala: " you thought you might be a ghost...", que não tem muito a ver com o que eu escrevi aqui. Bgzliga.

Sem Rima, Ritmo, Sentido e Sobrenome

























Meu nome é Reinaldo
.
Foi o que Leopoldo disse
Ao homem ao seu lado.
Não que ele existisse.

E o homem, abstraído,
Disse, ao seu lado:
O meu é Apelido,
O nome que me foi dado.

E qual o sobrenome?
Para continuar o diálogo
Foi o que Leopoldo disse
Ao homem ao seu lado.

E o homem, ao seu lado,
Afirmaria:
Não tenho sobrenome,
Mas costumo ser chamado

Pelo nome "Zé Maria".

O meu é Tommy.
Disse ele, caipira.
Sendo “ele” o pronome
Que a Leopoldo se referia.
Mas isso era mentira,
Ele não tinha sobrenome
Nem o outro, Zé Maria.

Ausência.

Disse que postaria hoje. Eis-me aqui. Aviso que estarei ausente por algum, pois irei em busca de inspiração. Deus é pai.

Three And a Half Men


Era a família Henry constituída de quatro membros. O pai, o primogênito, o filho do meio e o caçula. O caçula tinha três meses. O pai, o primogênito e o filho do meio, não.

Os quatro num bar, tocando Jazz. O pai e o caçula no sopro, o primogênito no piano, o filho do meio, também chamado de "do meio", no contra-baixo.

- O que você tem contra os baixos, do meio? – perguntou o primogênito, e riu de sua piada. O do meio começa a xingá-lo.

- PÁRA AÍ, PÔ! – gritou o pai, puxando o trinta e oito.

- To parado. – disse o primogênito, e riu.

- Tu é todo metido a engraçado, cachorro, qualquer dia desses te encho de chumbo. – recomeça o do meio.

- EU DISSE PRA PARAR! – berra o pai, atirando para ao alto, com duas veias sobressaltadas na testa.

-... meto areia na boca e uma faca no olho, aí tu vê se é engraçado,... – continuou o do meio. O primogênito olhava o relógio e a cara do pai.

- Cento e trinta pulsações por minuto na testa. O papai tá nervoso. – disse o primogênito, e riu.

O pai atira na barriga dos dois.

- Olha o que a gente tinha comido mais cedo. – disse o primogênito, rindo-se.

-... hipócrita, te atiro aos crocodilos...

O caçula começa a chorar. O pai se mata, e depois mata os filhos.

Emocionado


- Oi? – disse ela, curiosa.

- Eu tenho uma coisa pra te falar... Mas... – ele hesitava.

- Pode dizer. – ela era um tanto simpática.

- Está bem. Eu sei que falam que homem que é homem não fala essas coisas, mas eu tenho que dizer. Tu és linda, menina. Não me apaixonei a primeira vista, nem acredito nisso, mas depois de te ver... É incrível como essas coisas acontecem, né? Algum tempo depois de te conhecer, eu tive um sonho. O sonho não era comigo, mas tu estavas lá. Acordei e não lembrei nada do sonho, só que tu estavas lá. Eu sei que você deve estar me achando muito besta... Quem se apaixona por causa de um sonho, hoje em dia?

Ela estava totalmente sem palavras.

- Pois aconteceu. Me senti culpado por me aproximar de você só por causa desse sonho... É muito egoísta, eu sei... Me desculpe, menina, sinceramente. Fiquei noites sem dormir me punindo por isso. Mas me aproximei, e depois de conhecê-la mais... Foi demais, menina. Não agüentei. Tentei esquecer você, em casa, no computador, mas não consegui. Entrei no seu Orkut... Essa foi a noite em que dormi melhor, menina. Dormi na cadeira do computador, olhando para seu álbum. Saí de casa, fui a uma lanchonete. Fiquei olhando as garçonetes bonitas, para ver se eu gostava de pelo menos uma delas, mas tudo que eu conseguia pensar era que eu queria que você estivesse na cadeira vazia ao meu lado.

Ela totalmente sem palavras, com os olhos úmidos. Ele ajoelhado, com uma caixinha na mão.

- Menina, me desculpe, por favor! Mas tenho que fazer isso. Você quer se casar comigo?






- Rapaz, aquilo foi emocionante. – disse seu amigo depois, atordoado. – Parece coisa de livro, ou de blog, sei lá.

- É. Ainda não acredito que ela aceitou...

- Parabéns, cara.

- Obrigado. Incrível pensar que eu vou casar com a filha da maior fortuna do país. E ela até que é bonitinha.

Ele chorava, emocionado.

Carta ao Vivo e à Cores





Londres, 14 de dezembro de 2008

Saúdo a todos que começaram a ler esta carta, aos que não começaram, aos que não começarão e aos lacônicos espartanos. Saúdo também ao Vivo e à Cores, que me suportaram todo esse tempo ao vivo e a cores em todo o tempo, saúdo-os por que posso dizer que vi muitas coisas ao vivo e a cores, por causa deles.

Venho dizer-lhes através desta que sou muito grato pela oportunidade oferecida de ter visto os belos olhos castanhos, ter tido a bela conversa, ter feito uma bela caminhada, e ter desabafado com a bela morena, ao vivo e a cores. Ou será que falo de duas? Duas oportunidades ou duas morenas? Tanto faz.

Também quero lhes comunicar que farei o possível, ou não, para assistir àquela partida de futebol. Pretendo assistir ao vivo e a cores.

Já não tenho muito mais o que falar. Deixarei para próximas vezes, se houverem. Mandem lembranças para as Reprises, nunca as esquecerei. Um abraço ao Vivo, e um beijo à Cores.

O Autor.

8 de dezembro de 1978




Estava havendo protestos, e conflitos entre policiais e civis. Maldita ditadura. Eu só queria saber o que levava à toda aquela confusão. A ordem ou a desordem? Tanto faz agora. Naquele dia chovia muito, e até hoje me pergunto por quê o céu fica tão alegre após o choro das nuvens. Isso me intriga. E o que acontece às andorinhas que chegam tarde ao colégio? No meio da rua um camelo pergunta a uma tartaruga:

- O que guardas sob tua corcova?

A tartaruga não respondeu. Pablo Neruda talvez tivesse a resposta para todas essas perguntas. Tanto faz. O confronto Policia - Civis continuava. Talvez seja difícil de acreditar que alguém faria um sacrifício tão grande por nós. O que o camelo guarda sob o seu casco?

Cotidiano [V]


Eu sei que havia dito que não ia postar diariamente, mas o ócio me alimenta. É escrever ou ficar olhando para o PC com cara de quem tem muitos anos. E não tenho muitos anos, só daqui a alguns anos.

Dizem que o tempo passa num piscar de olhos, nos deixando para trás nessa maratona da vida. Uma besteira estapafúrdia. Aqui estou eu implorando para o tempo passar, implorando para a vida me deixar para trás num piscar de olhos. Pisco os olhos, mas continua a mesma coisa. Continuo tendo os mesmos anos que tenho, ainda faltando alguns para ter muitos, e os alguns que faltam custando para passar.

Vi em Friends, ontem, o desespero de pessoas que fazem 30 anos. Não acho que seja uma coisa ruim, contanto que a vida esteja seguindo num bom rumo. Os anos dão respeito. Quando me imagino com muitos anos, me imagino como um Don Uvymer, sempre falando com os olhos semi-fechados, com a voz de quem já viveu muita vida, o rosto carregando cada segundo passado.

E qual a definição de “muitos anos”? Para Luther King, seria mais ou menos a idade em que a pessoa pára para pensar sobre os anos passados. Para alguns são trinta anos, ou quarenta. Para outros chega cedo, vinte, por aí.

Claro que Luther King nunca pensou em nada assim. Nem eu, aliás. Tudo aqui foi meu Eu Lírico pensando. Eu apenas o criei para acabar com o tédio.

John Debaldiano [5]



John Debaldiano, mais conhecido como John Debaldiano. Ele resolve voltar à psicóloga, mas dessa vez não é curiosidade. Ele vai falar sobre a garota, a garota que nunca o atendia.

- Boa tarde, John - diz a psicóloga.

- Boa.

- O que você quer dessa vez ? - a psicóloga pergunta de forma grosseira. Psicólogos não devem ser grosseiros.

- Desabafar .

- Então começa, to te atendendo de graça - daí o motivo da grosseria.

- Lembra da garota que nunca me atendia? - John começa.

- Não.

- Pois é, ela me atendeu. E me deu um "fora". Indubitavelmente eu a amava, ou a amo. Ou não. Tanto faz. Não tenho mais nada a fazer. Meu trabalho continua a mesma merda, o meu dia continua a mesma merda, os meus banhos, a minha ida ao trabalho, a senhora, a nossa senhora, tudo continua a mesma merda. Qual o meu objetivo nesta droga, desta merda, de vida ?

- Não sei. O que você gosta de fazer?

- Escrever diálogos, e postar num blog.

A Lagosta Gigante das Américas


Navegando, navegando. Sr. Henry e seus três filhos estavam em um pequeno barco de pesca, em algum ponto do Pacífico.

- O Pacífico está violento. – disse o primogênito, e depois riu do seu trocadilho.

- Tu achas que a gente não viu? – disse o filho do meio. O caçula começou a chorar, tinha três meses incompletos. Sr. Henry puxou uma espingarda e apontou para os filhos.

- O próximo que falar morre.

Mas enquanto os filhos pensam em falar “morre”, aparece ela, a Lagosta Gigante das Américas, a Temível. E eles temeram-na. Sr. Henry mira no seu olho, o único lugar de seu corpo não coberto pela couraça de titânio. Ele atirou, mas ela desviou.

- Atirem vocês também! – gritou desesperado. Os filhos atiram com espingardas e arpões, mas a Lagosta some.

- Onde está a Lagosta? – pergunta o primogênito.

- Atrás. – disse ela, em suas costas.

E matou todos, um por um, não simultaneamente.


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Horrível, horrível. Eu ia apenas avisar que deixarei de postar como eu estava postando, quase diariamente, para não fatigar a mente. Talvez um post a cada dois, três dias. Mas nunca perderei a minha formosura característica.

Dennis Silva





Dennis Silva, esse é o meu nome. Dennis Silva é o meu nome. Sou o zelador do Edifício Rainha Renata Mendiara. Tenho uma sala no subsolo, uma sala só para mim. Na porta da sala, pro lado de fora, fica uma placa, uma plaqueta, com a inscrição: O Zelador. É o que eu sou.
Certo dia uma bela mulher entrou em minha sala. Ela tinha os seios perfeitos, um ao lado do outro. Ela perguntou:

- Essa é a sala do zelador?

- É o que está escrito na porta, dona. - eu respondi, com um sorriso torto. Sou muito culto, a professora sempre elogiava meus desenhos, por isso dou respostas sagazes.

A moça não notou a minha sagacidade. Tanto faz, ainda tenho uma sala só pra mim. A moça tornou a falar.

- Estou com um problema no meu apartamento. O senhor poderia ir até lá?

Eu fui, mas não era qualquer problema, era um problema envolvendo logaritmos. Nunca aprendi logaritmos, até agora.

Expliquei para a bela moça, que aparentava ter uns vinte e poucos anos, que eu não conseguiria resolver o problema. Talvez devesse contratar um professor de matemática, um professor narigudo. É como idealizo um professor de matemática.

Logo notei que a bela moça queria algo mais. Engatilhei uma bela cantada, daquelas bem românticas, do tipo: "No topo daquele morro tem uma pedra, se eu empurrar? Rola ou não rola?". Mas não, eu preferi ficar calado, a convenceria com um sorriso. Afinal eu tinha belos dentes, catorze belos dentes. Estava pronto para a batalha. Quarenta e sete anos, ainda virgem. Mas a moça não fez nada, nada além de agradecer por ser prestativo. É, eu sou.

Voltei para a minha sala. Imaginei o que poderia ter feito com ela. Talvez uma partida de damas, quem sabe? Eu não. Voltei feliz. Dennis Silva, quarenta e sete anos. Inexperiente.

Objetivo?


De repente, !Theo me lembra de algo. Qual o objetivo do blog? Debalde existe o blog? Não, existe um objetivo.

Fama? Logo me imagino com roupas no melhor estilo Don Corleone, com rugas nos olhos de tanto rir dos pobres (citando Veríssimo). Um patrício deste mundo capitalista. Mas o pouco de razão que me resta me diz que isso é total e inexoravelmente (?) impossível.

Compartilhamento de histórias? É visto na história que o homem tem o desejo comum de compartilhar os seus feitos, mesmo que repugnantes. Como esse texto e este texto.


- Olhaí, cara! Há quanto tempo! Viu o carro que comprei? – exclamou Zé Maria, feliz, para seu amigo. – Só falta uma pinturazinha ali, tirar esse amassado aqui, encher o pneu...

- Fechar aquele buracão ali.

- Sim...

- Botar um motor. – disse seu amigo, abrindo o capô vazio.

- Eu me casei, sabia? – perguntou Zé Maria, evasivo.

- É? Parabéns! Como ela é? – perguntou seu amigo, incisivo.

- Pô, tu sabe, cozinha bem e tal. – respondeu Zé Maria, abrasivo.

- É aquela pereba que ta correndo pra cá? – perguntou seu amigo apontando para uma pereba que corria para lá, concessivo.

- Mas ela cozinha, pô. – disse Zé Maria, outrora feliz.

- Então tenho que almoçar algum dia com você! – disse o amigo, expressivo. – Onde é a sua casa?

- Nessa rua! – disse Zé Maria, animando-se. – A rua mais chique da cidade!

- É aquela cabana de onde saiu a tua mulher? – perguntou o amigo, inspirativo.

- É. – disse Zé Maria, emotivo.

- Tá pegando fogo.

Enquanto chegariam os bombeiros para apagar o incêndio no casebre de madeira causado por esquecimento do feijão no fogão ligado, e a ambulância, para socorrer a esposa de Zé Maria, que havia inalado excesso de gás carbônico, o amigo iria embora em seu 4x4 (modelo 2009), com a modelo internacional com quem era casado. Zé Maria venderia o carro para financiar o tratamento da sua mulher, que viria a falecer uma semana depois.

Terrível.

Coragem


- É UM ASSALTO, PÔ!

- Cala a boca aí, otário.

- Como é o papo?

- Mandei tu calar a boca aí, otário.

- Não ta vendo a arma não?

- Não sou cego não.

- Respeito, amizade. Olha que te meto bala.

- Tá, tá, agora sai da frente.

- Tá duvidando que atiro?

- Não duvido. Pronto? Agora sai da frente, pô.

- Vou contar até dez, pra tu pedir desculpas.

- Legal, cara, tu conta até dez.

- Até cinco, pela malandragem.

- Ah, se lembrou que só sabe até cinco, é?

- Mas tu tá de brincadeira comigo, né?

- É. Quer que eu conte uma piada?

- Um, dois...

- Era uma vez um papagaio.

7 de dezembro de 1978




Ele olhou bem nos olhos dela. Olhos castanhos, mas não era qualquer castanho, era o castanho dos olhos dela. Ele estava feliz, não sabia o que fazer, mas estava, só por estar com ela. Ela era morena, a morena das outras histórias, ou não.
Ele tomou coragem e falou primeiro:

- Oi - com um leve sorriso.

- Oi - ela respondeu.

- Tudo bem? - ele pergunta, como quem não tem assunto. E ele não tinha.

- Tudo

- Pois é, tu recebestes minha mensagem?

- Não, que mensagem?

- A que eu enviei, avisando que eu estava aqui.

- Aaaah!

- Então? Recebeu?

- Não. Quem é você?

- Eu sou o Eduardo, não lembra? O cara do acampamento, do orkut, msn...

- Não, você se enganou. Desculpa.

-... - Ele se cala e fica parado, olhando pro nada. Lembrara de Chico Buarque cantando Desencontro. Ela não era a morena das outras histórias, tampouco era tão bonita. Ele se enganou e foi embora. Prometeu a si mesmo que nunca mais faria algo parecido, da próxima ligaria e não mandaria uma mensagem. Caminhou até a praia, sentou no banco e olhou para o nada. O 'ou não' do final do primeiro parágrafo aconteceu, ou não.

Bons Tempos



Esqueci. Esqueci totalmente. Bons Tempos...? O que eu ia escrever?

Inspiração. Preciso de inspiração. Começo a ler freneticamente crônicas, outros blogs, tentando ter alguma idéia, e nada. Boto música. Normalmente ouço certo tipo de música para certos tipos de história. Tristes para dramas, alegres para comédias, Beatles para surreais. Hã?

É tarde da noite. Está bem, não tão tarde, mas já está escuro. Esse normalmente é o melhor horário para escrever coisas inusitadas, criativas. Segundo Rafael Bemerguy, melhor ainda se for 2 da madrugada, mas não posso esperar tanto. Os leitores estão esperando, poxa. Olho para a tela do Word, e nada. Para os blogs, e nada. Ouço música e nada. Penso sobre Bons Tempos.

Nada.

Me lembrei do início do blog, quando apenas imaginava coisas pequenas e entediantes e desenrolava uma história com destreza de um maestro. Está bem, eu nunca fui assim, mas já quis ser. Pegar um pequeno fato corriqueiro, como um besouro na webcam, ou uma palavra rara de se ver no plural, e transformar numa história, mais que isso, numa boa história. Mas não, não sou mais tão jovem. Não tenho mais uma mente tão fértil.

Bons tempos.

Homem x Natureza




Estou escrevendo feliz, nesta doce ingenuidade que a inclusão digital oferece, e chega um besouro. Um besouro!

E este besouro me provoca. Anda pelo lado do teclado e sobe na webcam, e me olha risonho. Quase vejo suas pinças fazendo o barulho de uma gargalhada. Continuo não ligando, mas ele some.

“Perder a visão do inimigo é o primeiro passo para a derrota”, já dissera Napoleão Bonaparte, eu acho. Procuro e não encontro o safado. Olho para os lados nervosamente imaginando encontrar um coleóptero risonho olhando para mim, mas não encontro.

É o duelo do Homem e a Natureza.

Me lembro de experiências que nunca tive. Coisas de antes da passagem Entre-Vidas contada por Platão no Mito de Er, onde se conta sobre o rio Lethe, de onde se bebe para esquecer, mais ou menos que se faz hoje em dia com o álcool. Duelos para defender ou a sua honra, ou sua vida, ou a vida de próximos, ou não. Lutas contra as grandes feras que governavam o mundo com tirania repugnante, a Lei do Mais Forte, a luta na cadeia alimentar, técnicas de sobrevivência em ambientes inóspitos, mães que sacrificavam seus filhos para se alimentar, ou o contrário. Homens que comiam todo tipo de imundícias para vomitarem e saciarem a sede com o próprio suco gástrico.

Mas o besouro sai pela janela, e eu continuo a escrever a história para o blog.

Sem Título



Em homenagem ao antigo nome deste blog.

- Meu nome é Alfonso. – disse Leopoldo. Ele falou sozinho, ninguém estava lá. Ninguém.

Ele andou até o homem ao seu lado, que não existia.

- Eu não existo. – falou o homem.

- E qual o seu nome? O meu é Farias. – disse Leopoldo.

- Sem Título. – disse o homem.

- Não seria Sem Nome?

- Não, Sem Sobrenome.

- E o seu sobrenome?

- Não existe.

- Como seria não existir?

- Pergunte a este lugar.

Leopoldo olhou ao redor. Estava numa clareira de uma floresta, e nesta clareira havia uma casa de madeira.

- Não sou uma casa. – disse a casa.

- O que você é então? Eu sou um estrógeno. - disse o Leopoldo.

- Eu não existo. – disse a casa.

- E como isso funciona?

- Não funciona. – disse a casa.

- E eu estou mentindo. – mentiu Leopoldo.


Esta história não é real.

Ausência

Estou avisando que !Theo estará um pouco faltoso nesta semana. Ele foi atrás de inspiração e competência, pois esta lhe fugiu a tempo de não cumprir suas tarefas; mas ele mandou avisar que continua bonito e formoso.

Seis de dezembro de 1978




Senhor Tertulian está assentado num dos bancos de uma ponte em Lisboa. O senhor Tertulian não era muito diferente, a não ser pelo nome. Um jovem moço, conhecido do senhor Tertulian, chega e "puxa um papo" com ele.

- Olá, senhor Tertulian!

- Olá, boy. Como estás?

- Estou bem, e o senhor ?

- Lembrando do passado. Quando se fica velho e sem ocupação, pouca coisa de interessante, ou nada, acontece a você. Portanto, resta a mim lembrar do passado.

Depois de um breve silêncio o garoto torna a falar.

- O senhor pode me contar um pouco de sua história?

- Claro. - responde o senhor Tertulian - Quando tinha a sua idade eu costumava sair com os meus amigos a noite. Quantos anos você tem, mesmo?

- Dezesseis, senhor.

- Ah, então era com a sua idade, mesmo. - senhor Tertulian responde aliviado por poder continuar a história sem errar - Pois então, eu saía com alguns amigos até que um dia eu conheci uma garota, era a garota mais bonita que eu já havia visto em toda minha vida. Ela era morena, tinha cabelos lisos... enfim, ela era linda. Eu me apaixonei por ela, foi amor a primeira vista, eu acreditava em amor a primeira vista, ainda acredito.
Eu tomei coragem e fui até ela. Nós trocamos números de telefone, eu era de uma família abastada e, por sorte ou não, ela também. Começamos a nos corresponder, também, por cartas e nos encontramos mais vezes. Eu estava vivendo um sonho.
Certo dia eu descobri que o pai dela não gostava do meu pai, mas o meu pai não tinha nada contra ele. Por causa disso meu "quase-namoro" acabou por acabar, pois eu nunca tive coragem de ir ao pai dela para pedí-la em namoro oficialmente. Tudo isso por medo. Talvez tivesse dado certo, não sei.

- Uma vez alguém me disse: " É melhor ousarmos em projetos grandiosos, nos expondo ao fracasso, que passar o resto da vida se perguntando se ia dar certo ou não ".

- Mas pense que, se não aconteceu é por que não era pra ser. - O jovem garoto tenta consolar.

- É, boy, mas eu só tava brincando com você. Eu não casei com ela por que casei com a mãe dela, que por sinal era muito mais formosa.



:)

Sanção

Aposto o que quiser aqui que ninguém jamais usou a palavra "hoje" no plural. É o tipo de coisa que até ficamos meio atordoados em pensar. Que frase usaria a palavra "hojes?"

- O Futuro é hoje, mas muitos hojes vêm se seguindo sem que eu veja futuro nenhum.

Sim, essa é uma opção, bem criativa até... Vamos continuar a brincadeira? Parabéns. Quem já usou essa palavra no singular? Se falamos "meus parabéns", é por que é plural. Não sei se existe parabém, mas vamos lá:

- Não, não estou lhe dando nenhum parabém.

Normalmente aí seria usado "parabéns", mas o correto seria parabém, se existir. Mas é um erro digno de perdão, o uso de parabém é meio desumano e traumático, e as conseqüências do seu uso seriam gritantes.

- Aí, cara, vim te dar um parabém e tal...

Os convidados e o aniversariante olhariam para ele, fria e abismalmente. Começaria a chover, seus músculos travariam, tudo ficaria em preto e branco, etc.



Uma sanção social terrível.

Dissertação sobre Pessoas





Falar sobre as pessoas, exceto a minha pessoa, que sou eu, é interessante. Ou não, por que deve ser interessante falar de mim, ou não. Mas não falo de "fofocar", mas de pensar sobre elas, sobre o jeito de pensar, etc. Não que eu possa ler mentes, mas há um senso comum sobre muitas coisas, ou melhor, muitos sensos comuns, como conselhos que as mães dão para filhos, do tipo: " se ele lhe bater, dê um murro na cara dele", ou quando alguém apronta com outra pessoa, a pessoa agredida pensa: " Aaaah! Ele vai saber quem é Zé Maria. Aaah se ele vai!", ou então: " Tu vai ter teu troco, rapá! Tu vai ver!". Não quero dizer que essas pessoas, que pode ser você, meu caro leitor, só fazem, ou falam esse tipo de coisa, mas são coisas comuns. Até eu já pensei em coisas do tipo, e falei, como exemplo você pode ver que eu falei: "Até eu...", que é muito comum.

Também não quero dizer que pessoas que agem assim, ou pensam, ou falam assim estão erradas. Mas estão. Brincadeira. Não por que são muito comuns, afinal, todos são especiais, o que dá na mesma. Já que todos são especiais, todos acabam por se tornar iguais, normais... não por terem a mesma especialidade, mas por serem especiais, já que sabemos que cada qual tem a sua especial especialidade. O que dá na mesma droga, de novo.



Cotidiano [Quarto]


De novo, começo a escrever algo e perto do final resolvo apagar tudo. Histórias são como filhos, se não saírem ótimas, tem que jogar fora. (????). E filhos não são criados quando não se tem nada pra fazer.

O ócio era o sonho de qualquer ateniense, pois poderia se dedicar ao pensamento, à filosofia. E aqui estou eu, com ócio, olhando para o infinito. Esse era o sonho dos atenienses? Tédio? Só consigo pensar em coisas sobre a vida quando estou vivendo a vida. E agora não estou vivendo, estou existindo. E como não estou pensando em nada, nem isso.

Não vivo, não penso, não existo. Sempre imaginei como seria "não existir", "não pensar". Agora sei, é bem interessante. Cutuco minha cachorra, e ela não acorda. Claro, não existo.

As possibilidades são infinitas.

Quem aqui já imaginou o que iria fazer se não existisse? Começo a imaginar tudo o que posso fazer, mas, surpresa!, voltei a pensar. Voltei a existir. Que decepção. Eu tinha o que ninguém teve, e estraguei.

De volta ao tédio.












...................

Porque Merchan?

O Jorgen me falou sobre alguma coisa relacionada à princesas e pessoas comuns, que é o tema mais comum aqui no blog. Talvez eu goste de malhar, eu quero ficar forte. Mas não é forte de gordo, é forte de musculoso. Falando em forte eu me lembrei de meu amigo André Fortes, o autor da revista em quadrinhos Aziel.



A revista é boa, fala sobre umas merdas lá, um cara que foi escolhido para lutar ao lado de anjos no mundo espiritual. É muito bom. Desculpem-me o merchandising aqui, mas eu prometi que postaria algo sobre...

Desculpem-me, não estou me sentindo mal. Mas não quero continuar escrevendo nesse post.

Crise



Confesso que estou meio decepcionado. Quando eu imaginava uma crise mundial, uma recessão, eu imaginava olhar para a janela e ver pessoas como zumbis atrás de empregos e comida. Meus olhos se embaçariam com a fumaça de carros pegando fogo e com as lágrimas de ter perdido a esperança de ver um horizonte mais belo. Mas, pelo menos no Brasil, não vejo este estágio. Estou decepcionado.

José Maria da Silva, também chamado de Zé Maria, está em Desespero. Com Dê maiúsculo, como vocês podem ver. Mora no boxe 7 do banheiro masculino do Shopping Vila Del Lobo, que não funciona mais desde a Crise de 2008, a Quebra da Bolsa de São Paulo. Por trás das lamurias e do ranger de dentes, reconhecia-se batidas na porta do banheiro.

- Tem gente! - falou seu vizinho, do boxe 6.

- É o Jordinho! Roubei um rádio dos Bob's, abre que eles tão vindo!

- Boa, garoto! - exclamou o vizinho do 6, enquando abria a porta. Seu nome era Mário Dorisgleidson. (Do vizinho, não da porta). Todos do banheiro parabenizaram Jordinho pela façanha. Ninguém ia muito com a cara dos Bob's, como eram chamados os moradores da antiga lanchonete Bob's. "Esse garoto vai longe", pensou Dorisgleidson, emocionado. Achara Jordinho flutuando em um pequeno lago formado por lágrimas no subterrâneo do shopping. O menino era como um filho para ele.

- Liga esse troço aí - falou Zé Maria.

Enquanto eles ouviriam as notícias de carros usados como moradia, de esgotos sendo disputados por serem fonte constante de suprimentos, da pesquisa que afirmaria que 97% das pessoas não sabem o que é "água", os Bob's armariam a vingança do furto. Suas vidas agora seriam como as dos Tupinambás e Guaranis, teriam que viver da agricultura e pesca e viveriam incessantes lutas por vingança e antropofagismo, agora não para absorver coragem, mas para saciar fome.

Mas não. Os Bob's não estão armando vingança. Ninguém vive nos banheiros dos Shoppings. Meus olhos não estão embaçados, e o horizonte continua belo.

Estou decepcionado.

John Debaldiano [4]




John liga para a tal garota que nunca o atende. Dessa vez ela atende, e ele diz:

- Alô, como tu estás?

- Tô ótima, graças a Deus. E você? - a garota responde.

- Ótimo...e amando.

- Quem?! - a garota pergunta, um tanto feliz.

- Você

- Mas, porque eu?! - a garota pergunta, só que dessa vez espantada.

- Por que eu amo você, eu quero me casar com você, ter filhos com você! Quero que nossos filhos tenham o seu cabelo, o seu sorriso, a sua cor, os seus olhos, a sua paciência, e que tenham o meu...meu sobrenome, somente meu sobrenome.

- ...

A garota desliga. John liga o computador, conecta à internet, escreve um diálogo e posta no seu blog.




Baseado na cena do pedido de casamento, no estádio dos Yankees, do filme Tratamento de Choque

Poesia ao Algoz Néscio


Ode ao Algoz Néscio:
tudo o que peço
é um minuto para zuar.




Ó algoz néscio,
Tudo que te peço,
Tudo o que quero,
Pois estou necessitado,
É o minuto para zuar
Que tens me dado.

Como não sou Homero
Esta ode aqui vai acabar.

Obrigado.

The Falcon - Um Sonho de Uma Noite de Verão


Ai, o amor é um capitoso vinho!

Eram onze horas, a hora mágica do encontro proibido de dois enamorados, e Ele estava embriagado. Cantava cantigas de amor e paixão em nome Dela. E My Chemical Romance. Andou até sua mansão, pelo lindo bosque que era o jardim, que tinha 47 espécies de plantas orientais geneticamente modificadas para se adaptarem ao clima e aos vândalos. O pai Dela deve ser botânico, pensou. Estranhou Ela não ter marcado o encontro no jardim.

Viu a majestosa Mansão, O Ninho, como era chamada. Nunca tinha ouvido falar da casa. Também não viu os vultos que andavam no jardim. O amor, além de ser cego, cega. Coitado.

Furtivamente subiu a hera, se sentindo cada vez mais próximo do seu objetivo. Chegando lá em cima, a janela estava aberta, como esperava. Entrou e viu os lençóis da cama e as cortinas voando ao vento, como um espetáculo mórbido. Só percebeu que havia uma pessoa ao lado da janela quando ela a fechou. (A pessoa fechou a janela, não a recíproca. Sei lá.).

Um Homem de paletó e Ele, sozinhos, no quarto fantasmagórico.

- O que veio fazer aqui, meu filho? - o Homem falava com um tom paternal que O acalmou um pouco.

- Me encontrar com Ela, senhor. - Ele falou isso tentando não gaguejar. Por causa Dela, Ele entendia as cantigas de amor, mas ainda não as do My Chemical Romance. O Homem deu o Sorriso, Sorriso este capaz de mandar às trevas a mais forte e iluminada alma, listado no livro "As 14 Armas mais mortíferas do Planeta", cujo autor foi encontrado mergulhado em ácido horas após a publicação. Culparam os comunistas.

Falei qual era o nome Dele? Era Cláudio Soares. Pelo menos era o nome que constava no falso atestado de óbito.

Passou o resto de sua vida nas masmorras, O Inferno dos Falconidaes, como eram chamadas, junto com seres que pareciam duendes. Era torturado 24 horas por dia com pedras incandescentes na garganta, ou injeções de ácido nos órgãos vitais, sem os destruir, mas causando uma dor que, em um segundo, tira da pessoa qualquer intenção de continuar vivo. 24 horas por dia.

Agora entendia My Chemical Romance.

Sorriu.

Alguém costuma sorrir ao ver mendigos deitados na rua por trás da película de uma janela blindada? Pois ele sorriu. Sorriu por não ser eles.


The Falcon



- Patrão, descobriram o plano.


- Fekete. - disse ele, em código.


















Longo, longo dia. E ele odiava longos dias.


Pensava sobre a traição que havia sido alvo. Ah, não, ainda não acabou, pensou ele. Acendeu um charuto. Olhou para a janela e sorriu de novo.

Chegou a seu terreno, caminhou pelo pequeno bosque que era seu jardim, pelos seguranças com as mãos dentro dos paletós impecáveis. Entrou pela porta automática de vidro blindado de 45 mm de espessura, o qual o lado de dentro podia olhar livremente para fora. A recíproca não é verdadeira. O exame de córnea o reconheceu em 0,15 segundos e abriu a porta. Havia rido quando o técnico que instalara a porta perguntou se queria detector de metais naquele local. Contanto que o alarme seja músicas do Frank Sinatra, para não enjoar, disse ele.

Ele passou pela porta, e Strangers In The Night começou a tocar. Sorriu de novo.

O Leprechaun havia mexido com o cara errado.

O Cafetão das Palavras



Essa é uma história sobre um cara, um cara legal, um cara muito legal. Pelo menos era o que ele achava, na maioria das vezes. Esse cara se chamava Téo, na verdade, ele nunca se chamava, mas as pessoas o chamavam assim. Téo tinha tudo pra não ser um cara muito popular, e não era. Ele era no máximo...uma cara conhecida. Mas não deixava de ser um cara legal, ou pelo menos de tentar ser. Ele também era inteligente, ou pelo menos parecia ser. Ou não.

Téo gostava de escrever, escrever era um de seus dons. Ele também jogava futebol, mas não era mediano, como a maioria dos brasileiros, ou Zés Marias, ele estava um pouco acima da média. Uma versão melhorada. Como eu disse, Téo gostava de escrever, mas isso não significa que ele escrevia com frequência, mas que ele gostava de escrever. Porém, quando Téo escrevia...



Não to me sentindo bem, desculpem-me. Continuo semana que vem.

Meridiano de Greenwich


Dormi. Sonhei um belo sonho, mas já não lembro o que sonhei, sei que era um sonho profético, desculpa, quis dizer poético, mas não importa. Tenho dois minuto pra escrever isso aqui. O tempo pode acabar e eu posso não terminar esse post. Se bem que, se eu publicá-lo...deixa pra lá. O tempo acabou. Ele é mais rápido.






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Cotidiano [Três]



Acordei. Levantei. Como em qualquer outro dia.

Lavo meu rosto, pentio o cabelo, e vejo que escrevi "pentio" errado. É penteio. Já comecei o dia errando, desgraça.

Quais as influências que isso trará ao meu dia? Já ouvi falar que tenistas perdem finais de mundiais por terem uma unha encravada, ou terem um sonho incômodo o qual não conseguiram se lembrar depois. Mas não sou tenista. Mas não-tenistas também sonham.

Eu sonhei? Sim, me lembro vagamente. E qual foi o sonho? Não me lembro, nem vagamente. Engraçado o fato das pessoas terem certeza (ou lembrarem vagamente) de que sonharam na noite anterior, mas não se lembram de nada do sonho. Falo por mim mesmo, mas imagino que seja a mesma coisa com o resto do mundo.

Sim, sonhei alguma coisa a ver com velhos amigos. Segundo a wikipédia, Freud dizia que, por trás das narrativas absurdas que todos sonhos têm, eles revelam o desejo íntimo da pessoa. Besteira.

Belo começo de dia. Procurando "sonho" na wikipédia. Falando de Freud. Escrevendo "pentio". Procurando essa foto no google, que não tem nada a ver, aliás. E ainda saiu cortada.

Algo me diz que será um longo dia.

Dissertação, Opinião e O Pinhão sobre qualquer coisa.



"Start spreading the new, I'm leaving today...I wanna be a part of it [...] This vagabond shoes..."

Esse tal de Plutônio abastado, ou enriquecido, ou até mesmo Hiperplutônio, que é melhor que o Hiperurânio ou igual, ou não, me inspira. E me faz cantar " caminhando contra o vento, sem lenço e sem documento....". Ou não. Quem sabe, né? O tal do Urânio enriquecido que é tão mal usado, ou não, em bombas nucleares adimensionais...

Aaaaah, tá tudo tão bonito! Um momento tão belo, o sol incide diretamente sobre meus pés. Ou não. Cardinales tão bonitas. John, o Debaldiano, ligaria para a tal garota. Eu não ,ou não.

Mas eu disse que dissertaria sobre o que mesmo? Ah! Sobre o Quê? A letra q? Alerta Q? Tanto faz. Esse foi só mais um post com frases, que te confundem, ou não, soltas ao vento. Para sempre.






Hiperplutônio


Claro, como todos sabem, existia o Hiperurânio. Lá não existiam cadeiras, mas a forma das Cadeiras, que eram vazias até alguma outra forma sentar nela. Não existia eu líricos, mas a forma dos Eu Líricos, que pensavam, então existiam. Era o mundo perfeito, todas as formas viviam em harmonia e igualdade no comunismo, ou na forma do Comunismo.

Mas veio o Demiurgo, que pertencia à classe média em Atenas, tinha infinita bondade e o poder de fazer uma cópia desse mundo. E copiou. E criou o Caos.

Claro, isso é fato, como é sabido. Não sou um historiador, então não pretendo retratar o que aconteceu após esses eventos, então vou mudar o rumo desta história, afinal sou um historiador. Sei lá.

Hiperplutônio

Tudo se mexia, mesmo parado, e não existia Movimento Retilíneo Uniforme. Os princípios da inércia ainda não estavam feitos, então a pessoa (cópia da forma da Pessoa), quando dormia, acordava em um lugar diferente, mesmo não tendo forças atuando sobre ela. Tinha alta chance de acordar flutuando.

Elétrons se atraíam com nêutrons, prótons ficavam só olhando. Cachorros voavam pelos céus, perseguidos por nuvens-vivas, nunca em movimento uniforme. Nem retilíneo. Só existiam DVDs piratas.

Hunberto Cornélio, cujo nome não obedecia às regras da gramática, era filho de uma humana com um ser que ainda não havia sido definido o que era. Depois de nove semanas de gravidez, ela o vomitara, e ele estava dormindo. Acordou no lugar que se encontra agora, em uma lagoa, com um arco no meio formando um grande paradoxo. Sei lá.

Ele caminhou sobre o paradoxo e pensou. E existiu. Essa era a função dos paradoxos, lá as pessoas se lembravam de como era o Hiperurânio, o Original, ou pensar em outra coisa qualquer. E existir.

Cornélio pensou em como voltar a sua terra natal. Em volta havia uma grande floresta de arbustos com formato de animais, e no horizonte havia um furacão horizontal de fogo. Pensou na probabilidade de dormir e acordar em sua casa de novo, e existiu de novo. Dormiu, e foi se mexendo aleatoriamente em quanto dormia.

Nunca em movimento retilíneo uniforme.

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